sábado, 24 de agosto de 2019

Episódio 7 -(Minissérie)- Eternidade


Episodio 7: Suburbia


Caos.Total desorganização , ordenação desvairada, fractal,confusão.
Pessoas, multidões, rostos sem rosto, faces sem expressão, expressando suas angustias,borboleteando em meio a vidas sem sentido.
O vento frio irrompe pelas largas avenidas, frio que reflete a desumanidade espelhada na impessoalidade profissional das ruas e avenidas iluminada por gases luminosos frios como a própria suburbia.
Veículos circulam em alta velocidade, pressa de se chegar a nenhum lugar, não há um objetivo,nem sentido.Placas, números,textos,pessoas estampadas,consumo.Todos estão ocupados com suas próprias vidas, seus pequenos problemas.
Mas esta e´ apenas a superfície.Como as galerias fluviais da cidade, nela há´um fluxo subterrâneo e subconsciente de sentimentos e emoções aprisionados, que se escondem em meio a desolação da frustração.
Por trás dos edifícios o Sol se Poe e nasce,o arco íris brilha, mas ninguém os vê.Por trás dos rostos, decepção continua, angustia de se ter sonhos tão carinhosamente acalentados que ficam a cada novo dia mais distantes.
Por dentro dos veículos e de sua pressa,uma fome de viver,uma noção barata de amor,solidão.
Por trás da Suburbia ,grande e poderosa, por trás do brilho néon cegante, mas gelado, a esperança conduz todos a lugar nenhum, e nega sua própria impossibilidade de existir.
Por trás da Suburbia, grande e poderosa, ou melhor, por baixo dela, se esconde a pequenez humana e suas limitações, estampadas a cada novo dia em cada rosto aparentemente conformado.
Por trás da Suburbia,grande e poderosa,se esconde o Poder corrupto, a riqueza da Elite como contraponto da massa uniforme e indistinta e sua falta de identidade.
Por trás da Suburbia, grande e poderosa,enfim,esta a grandiosidade da miséria humana, em todo seu drama e pungencia, para a qual a multidão sem rosto e sem dignidade sucumbe qual gado, e qual gado e´tangida pelas regras ditatoriais da Sociedade de Consumo,a própria Suburbia, que faz de sua miséria sua grandeza e opulência.
Quem esta a margem dela, como Uthuu, a pedinte,sabe bem os segredos da Suburbia,pois sofre em sua pele arrepiada de frio e o vento gelado que corre com os veículos pelas avenidas espelhando a frieza da indiferença humana, impiedosa e cruel.
Uthuu já perdeu a esperança.Nao espera mais da vida nada alem do que morrer.Ainda jovem, sua pele feminina tão maltratada e rija,ressente-se da falta de calor humano, e clama por carinho, cuidado e proteção, sonhos outrora tão acalentados, mas agora perdidos, jogados fora em meio ao labirinto infinito de ruas da cidade.Os olhos verdes estão sem brilho, e os cabelos morenos estão duros e ressecados.A s roupas estão rotas e os pés endurecidos de frio não tem nada para vesti-los e aquece-los.
As mãos tremulas tem unhas quebradas e enegrecidas por maus tratos.
Uma sensação de imensa fome devora seu abdômen.Fome não apenas de alimento, mas de falta, saudades, solidão,e a mente sabe, não adianta refugiar-se no passado, ele e´medonho, e mais assustador do que a própria madrugada congelante que ela tem de enfrentar todos os dias.
O nada que possui e´constantemente usurpado, e ela sabe, que mais uma vez, quando a noite chegar, como ocorre todo santo dia, ela será mais uma vez estuprada.
O respeito, o amor, a dignidade, o carinho , o conforto, são sonhos distantes.
Então um dia, Uthuu olha para o céu,pela primeira vez em sua vida.
Mesmo ali, entre os prédios,em meio a todo o frenesi louco e vazio da Suburbia,em meio a tamanha multidão sem rosto, um pedacinho de Arco Íris aparece depois de um pouco de chuva.
O rosto dela se ilumina.O que ela vê lhe parece um sorriso, franco, iluminado, carinhoso, colorido, como seu sorriso estampado com dificuldade em sua face tão sofrida.Lágrimas brotam de seus olhos de brilho estrelados, e ela salta no ar,levanta as mãos e grita:
-Que lindo !

(Por Continuar)


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Episódio 53-Admirer Voyages:Peregrine !



-Imediata Cecília !
-Eu não mandei você assumir a Ponte?
-Sim, mas deixei a Anne Paula no Comando. Sei que precisas de mim agora, me deixe entrar, por favor...
-Entre !
Cecília entrou e a porta se fechou atrás dela. Ela se sentou na cama e abraçou sua capitã. Depois vieram os afagos, os cafunés, os carinhos, os beijinhos e por fim o beijo na boca.
Foi quanto Cecília se levantou, e ficou completamente nua na frente dela, e tirou as roupas de Valéria também.
As duas jaziam deitadas nuas uma em cima da outra e  começaram os beijos e, em instantes, elas já estavam fazendo sexo desvairadamente, de modo apaixonado, cheio de prazer e  desejo, em um fogo sensual e ardente, acelerado como um furacão!
Quando terminaram, Valéria se sentia muito melhor. Tomou um banho, aproveitando-se de que Cecília já tinha tomado o dela e se vestido e voltado para a Ponte.
Só então se vestiu e pediu um  sanduíche , um refrigerante e batatas fritas  no sintetizador de alimentos, sentou-se ‘a sua mesinha e comeu.
Saciada a fome,  vestiu seu uniforme, se arrumou e foi para a Ponte.
Lá ficou até a hora de dormir e depois voltou a seus aposentos.
No dia seguinte, já acordada, de bexiga esvaziada e vestida, foi para o Refeitório. Preferiu tomar seu café da manhã lá, do que no seu quarto, pois assim via gente e não comeria sozinha. De fato, ao chegar lá, deu de cara com Thaís.
-Bom dia, Capitã!
-Bom dia, Thaís !
-Olá, bom dia, Capitã e Pilota !
-Bom dia, Dona Wilma !
As duas  responderam em uníssono.
-Já vou servir o café da manhã de vocês!
-Espero que seja bem saudável !
-Ah, olá, Doutora, que bom que a senhora acabou de chegar !
-Senta com a gente, Doutora !
-Pois não, Capitã!
A médica, a Capitã e a Pilota, ficaram conversando até que a lauta refeição chegou, verdadeiro banquete. Então, Valéria foi primeiro para a Ponte, pouco depois a Pilota, e a Médica voltou para sua enfermaria.
Já na Ponte, só faltavam elas para completar a tripulação, e Cecília levantou-se da Cadeira da Capitã e acedeu para Valéria, que se sentou em seguida.
-A que velocidade estamos, Thaís?
-Desde onde, quando saímos da Anomalia Temporal, estamos em velocidade de dobra sub-luz, Capitã, viajando a 25%da velocidade da luz !
-Então viajamos bem devagar a noite toda...em qual curso, Priscilla?
-Em linha reta em relação ‘a Anomalia, Capitã !
-Estivemos viajando fora do curso a noite toda então...Thaís, Priscilla, marcar curso para Hydra VII, Galáxia A4 ! Velocidade :ZARP 10 !
-Sim, Capitã !
A  Peregrine fez uma suave curva ‘a direita e disparou em velocidade ZARP .
-Anne Paula, já é possível localizar o paradeiro da nave KSS Minotaurus -A?
-Não, Capitã, ainda estamos distantes demais para conseguirmos localizá-la, ela está fora do alcance ! Nem mesmo lançando sondas poderíamos detectá-la agora !
-Tudo bem, então !
-É, voltamos ‘a velha rotina...
-Pois é, Imediata...
-Capitã! Detectei algo enorme, incomum, nos sensores !
-O que é, Anne Paula? Uma nave?
-É...não exatamente...parece um tubo, um cilindro, sei lá, não tem sinais de vida, mas seu carco parece orgânico, embora não tenha órgãos , esquisito...
-Já está em alcance visual?
-Sim, Capitã !
-Então, Alessandra, na tela !

(Por Continuar)




sábado, 17 de agosto de 2019

Episódio 15- Sensibilidade de Viver: Adendos Finais





Foi então que logo a pizza chegou, e deu-se o jantar, depois sobremesa, com todos muito animados!
Os dias iam-se passando e parecia que um período feliz e tranquilo estava sendo vivido.
Mas algo inquietava o coração de Ruri: ela sabia que aquela vida sossegada e alegre um dia ia terminar e nem ela sabia quando.
Temia muito que uma hora Lune perdesse a paciência com ela e sua filha. Também  não estava conseguindo emprego, e não sabia por quanto tempo iria depender de sua irmã.
Quando foram completadas três semanas de sua chegada na casa de Lune, em um domingo, Takeo convidou a todo mundo a ir passear e fazer um piquenique no parque Kemasakuranomya.
Foram todos na Mercedes Classe B de Lune e não demorou muito, chegaram lá já próximos da hora do almoço.
Ruri ajudou Lune a estender a toalha e Rena ajudou a organizar as comidas em cima.
Foi bastante divertido, com todo mundo comendo muito, e, já próximo das três da tarde, Ruri resolveu passear pelo parque sozinha, já que todos continuavam conversando, menos Rena e Rina, que dormiam.
É que Ruri percebera que Lune e Takeo pareciam ansiosos para namorar, então ela preferiu deixar que tivessem sua privacidade.
E ela sentia falta de namorar ! A sua carência era enorme, tanto afetiva quanto sexual, mas era a afetiva quem gritava mais alto.
E ela queria esquecer o trauma que ela tinha de Soichiro. Ela já jurara para si mesma nunca mais se casar, nem namorar outra vez, mas aquilo estava lhe trazendo sofrimento, angústia, solidão.
Ela caminhava ‘a beira de uma lagoa, onde carpas eram alimentadas pelos transeuntes.
Tão distraídos eram seus passos, tão absorta estava ela em seus pensamentos , que não percebera que estava muito na beirada, e
Então...
SPLAAAASH !
Ela caiu na lagoa, espantando os peixes !
Alguém ali próximo a viu e correu em seu socorro.
Era um senhor de meia idade, de ventre um pouco avantajado, que já se aproximava dos cinquenta anos de idade .Baixinho, com uma barba rala que já começava a ficar  grisalha, ele não era japonês- era europeu, com seus olhos azuis e cabelos pretos já com muitos deles brancos, e usava óculos, e não era nada musculoso.
Ele pulou na água e a carregou nos braços como uma princesa, e a colocou delicadamente na grama.
-Você está bem? Disse ele em um japonês macarrônico, com forte sotaque.
-Sim...estou...senhor...
- Dieter Von Focke! Sou alemão, e vivo aqui no Japão há alguns anos, fui Consul da Alemanha em Osaka por vários anos e depois gostei tanto de seu país, que resolvi me mudar para cá.
Só então Ruri percebeu que estava encharcada e que sua blsa branca permitia ver parte de seus seios , a que seu sutiã não escondia. Ela corou de vergonha e cruzou os braços na frente do busto para tampá-lo.
Dieter correu a tirar sua blusa de lã e a colocou nela.
-Muito obrigada, Senhor Focke !
-De nada,minha jovem !
Ruri sorriu e deu um risinho, para entãodizer:
-O senhor tem um sotaque engraçado !
-Oh,a senhorita riu de mim...mas eu...eu estou tão triste...
-Porque?O que aconteceu com o senhor?
-Desde que minha saudosa Emma morreu, meus filhos que já são adultos não quiseram me fazer companhia aqui e me abandonaram e eu já estou ficando velho, não conheço ninguém, sou muito discreto e nunca fui de muitos amigos, e tenho de me cuidar sozinho...
Ruri teve pena dele, e contou sua história para ele.
-Então, você está desempregada e eu estou sozinho...olha, eu tenho uma proposta de trabalho para você: como pôde notar, meu japonês ainda é péssimo, então...se você quiser, posso contratá-la como minha professora particular de japonês, e ,se quiser, te ensino a falar alemão !
Ruri ficou meio vacilante, pensando se não era uma cantada, ou uma armadilha.
Mas ela olhou bem nos olhos dele, e ela viu ali carinho, afeto, bondade, e na voz dele ela identificou uma doçura natural, de uma pessoa sensível. Suas maneiras eram polidas e educadas e ele não olhava no corpo dela, mas sim nos seus olhos.
O homem, no entanto estava se sentindo inseguro, com medo de ela recusar e disse:
-Eu te pago o salário médio de uma secretária júnior de grandes empresas, com todos os direitos trabalhistas! E juro respeitá-la e me comportar como um homem honrado e digno !
Ruri abriu um largo sorriso !
Ela precisava muito de um emprego e de voltar a ter renda própria, então ela respondeu:
-Senhor Focke, isto mais parece uma proposta de casamento do que uma  de trabalho!Eu aceito !Aaaaatchim !



(Por Continuar)