terça-feira, 4 de abril de 2017

Episódio 49-Admirer Voyages





-Outra salva, Capitã?
-Deixa no automático...Irisa, assuma o controle de fogo ! Você sabe o que fazer !
-Sim, Capitã !
Irisa assumiu, e as salvas de tiros e torpedos eram disparadas em série, uma atrás da outra.
Era possível ver do espaço as explosões e a fumaça em terra, simbolizando a destruição terrível que acontecia.
A frota de Junai chegou e começou a atacar a flotilha, que revidou.
Ao ver as naves Junai explodindo uma atrás da outra, Dina não suportou mais, se sentou em sua poltrona, e colocou as mãos na frente dos olhos, não queria ver toda aquela mortandade terrível, e chorava, com a culpa a corroendo por dentro!
Ao ver que Dina não estava em condições psicológicas de continuar no comando, Amber disse:
-Capitã, olha, vai tentar dormir um pouco no seu quarto, deixa que eu assumo o comando da operação...
Dina, calada, se levantou, e saiu da Ponte, passando por seu escritório e indo para seu quarto.
-Relatório da situação, Frida!
-Senhora, o Controle de danos informa que quarenta e três das um bilhão de camadas de nossos escudos defletores já caíram, e a camada quarenta e quatro está em trinta e seis por cento, e caindo, Imediata ! Quanto a danos estruturais, nenhum ainda !
-Irisa, divida o fogo, metade para o planeta e metade para a frota inimiga, temos de nos defender.Wendy, como estão as demais naves da flotilha?
-Nenhuma tem danos estruturais, mas que estão sofrendo mais são as naves Classe Authority, as menos poderosas da flotilha e menos ágeis também, Imediata.
-Certo. Monique, não vamos mais ficar paradas, só atacando, vamos fazer manobras evasivas e atacar a parte oeste da frota inimiga. Dóris, velocidade de batalha !
A nave acelerou e fez uma curva acentuada para a esquerda, desviando-se de naves amigas e inimigas, enquanto continuava atacando sem parar.
-Imediata, os sensores indicam que Junai está lançando um míssil  com ogiva nuclear suja, de seiscentos teratons na nossa direção !
-Eles enlouqueceram ! Uma explosão deste tamanho vai inundar o planeta e suas luas de radiação suja perigosíssima na distância em que estamos !Dóris, aumentar velocidade para um décimo da velocidade da luz !Monique, trace já uma rota de interceptação do míssil por aproximação, e depois uma rota de fuga para fora do sistema solar deles! Frida, assim que nos aproximarmos do míssil, raio trator nele ! Dóris, assim que engajarmos o míssil no raio trator, velocidade  Zarp um!Quando chegarmos a meio ano luz de distância, soltaremos o míssil e engataremos Zarp  dez, e voltaremos para a batalha !
E assim foi feito.
A nave mergulhou em direção ao planeta, e , ao chegar a quatro quilômetros de distância do míssil, acionou o raio trator, que prendeu-se ‘a arma e começou a rebocá-la.
-Tempo para a detonação das ogivas: trinta segundos, Imediata !
-Obrigada, Frida ! Que cumpra nosso plano!
Disse Amber.
A Admirer acelerou, levando o míssil consigo e ultrapassou as fronteiras do sistema solar de Ecchia, e, na distância planejada, soltou o míssil e fugiu a Zarp dez.
O míssil explodiu e a onda de choque perseguiu a nave.
-Zarp vinte, Dóris, agora !
-Sim, senhora, Imediata !
A nave se afastou da onda  de choque e não foi atingida por ela, em instantes, já estavam de volta na batalha.
Porém, ao chegarem, a batalha já tinha terminado. Haviam apenas escombros tétricos flutuando no éter, e pedaços de corpos idem.
A Flotilha agora ia na direção do Planeta, atacar as cidades.
-Monique, preparar reentrada na atmosfera do planeta. Dóris, velocidade e ângulo de reentrada !
-Sim, Imediata !
Disseram as duas.
Quando ultrapassaram a camada de nuvens, o cenário era terrível de ver: cidades inteiras em chamas, arrasadas,destruição por todos os lados!
-Imediata, uma chamada do Imperador de Junai !E é para toda a Flotilha !
-Na tela, Stephanie !
-Povo do Planeta Terra, nós nos rendemos incondicionalmente ! Por favor, cessar fogo !
-Sim, Majestade, entendemos, muito obrigado, e por favor nos perdoe !
Os olhos do Imperador estavam rasos de lágrimas,diante de sua humilhação.
-Irisa, suspender o fogo !Imediatamente !
-Sim, Imediata !

(Por continuar)

Episódio 7-As Piratas também sonham: O Resgate de Amélie !



Ele se desnudou, para horror dela. E começou a tocar-lhe as partes mais sagradas, e ela fazia cara de asco e tentava se afastar, mas as mãos fortes dela a seguravam e machucavam seus braços.
Ela começou a espernear quando ele rasgou-lhe as vestes e seu corpo ficou nu diante dele.
Ele a imobilizou e ela começou a gritar, a plenos pulmões, com os olhos marejados:
-Não !Nãaaaooo !Nãaaaaaaaooooo !
Ela podia-sentir-lhe o hálito putrefato e sentiu vontade de regurgitar quando ele lhe beijou a boca, e para seu horror, ela sentiu o peso enorme do corpo dele em cima do dela. E pior que nem gritar mais ela conseguia, e se sentia sufocada.
No dia seguinte, ao raiar do dia, havia sangue na cama, sangue íntimo. E a roupa de cama estava toda encharcada e manchada, fétida como um chiqueiro.
Finalmente o Capitão saiu de cima dela, e  ela, ainda exausta e com os olhos quase secos de tanto chorar, com uma vergonha que não tinha tamanho, ainda conseguiu dar-lhe um tapa na cara com toda a força que ainda lhe restava.
Tobias ficou furioso e fora de si com o tapa. Ele colocou seu dedo no olho esquerdo dela com tamanha força, ainda mais que suas unhas estavam compridas, que o olho foi furado, e sangrou abundantemente, e Amélie berrou de dor diante da dor lancinante !
Como se nada tivesse feito, em silêncio, Tobias vestiu sou uniforme de Capitão e saiu da cabine.
Amélie chorava de dor desesperadamente, e tentava estancar a sangria com os lençóis sujos, buscando alguma área que não estivesse tão imunda.
Ela, no entanto, acabou desmaiando de dor e exaustão.
Hora depois chegava Bestini, mantido ocupado pelo Capitão de propósito.
Foi com horror que ele constatou a situação da menina  e imediatanete, com a maior delicadeza, tirou as roupas de cama sujas e levou as roupas rasgadas dela.
Ele lavou pessoalmente as roupas de cama e as deixou a secar no sol, em um varal improvisado, e fez questão de costurar as roupas dela.
Depois foi verificar se ela permanecia respirando,e passou um pano molhado pela, tentando limpá-la como podia. Depois, com um trapo, fez um tapa olhos improvisado para ela.e com outro pano, limpou o ferimento e estancou o sangue e o limpou.
Só então, ele a deixou dormindo na cama e fechou a porta do quarto.
Quando Amélie finalmente acordou, levou um susto ao dar de cara com Bestini sentado no pé da cama, de costas para ela.
-Aaaaaaaaaaaah !
O Imediato deu um pulo de onde estava, tamanho o seu susto, e se virou para ela.
-Sai ! Sai daqui ! Sai daqui !Saaaaaaai !
Gritou Amélie, histérica.
-Filha, calma...
Eu não sou sua filha ! Sai ! Sai ! Sai ! Não quero nunca mais ver um homem na minha vida na minha frente !

Bestini ficou magoado. Ele tinha velado o sono dela e impedido que qualquer pirata entrasse na cabine.
-Eu lavei sua roupa de cama, e lavei e costurei suas roupas, estão na cama, a seu alcance. Vou sair agora.
Disse ele cabisbaixo, com olhos inundados de lágrimas.
Ele saiu da cabine e fechou a porta.
Só então Amélie viu as roupas dela, tanto as de baixo como as de cima, costuradas, limpas e dobradas com o maior zelo e cuidado, bem pertinho dela.
E ela olhou para seu corpo e ele estava fisicamente limpo, embora ela se sentisse a mais imunda das criaturas. Sua virilha e suas pernas ainda estavam muito doloridas e doíam muito, assim como o busto e as nádegas. Os hematomas, no entanto, roxos e vermelhos, ainda existiam em abundância.Com tremenda dificuldade, tratou de se vestir o mais rápido possível, e desdobrou um dos lençóis e o jogou sobre seu corpo. E voltou a chorar em profusão, de início, baixinho, depois a plenos pulmões.
Do outro lado da porta, Bestini também chorava, com seu coração partido de vê-la sofrer tanto assim e também, por não poder fazer nada para ajudar.Ele sabia o que acontecera, e se enchia de culpa por não ter impedido seu capitão.E sabia também que, diante do que acontecera, era natural que ela ficasse com raiva de todos os homens e nunca mais os quisesse ver na vida. Ali, de pé de costas para a porta, estava um homem que, embora não tivesse feito nada com ela, se sentia também a mais horrenda, nojenta, imunda das criaturas...

(Por continuar)

Episódio 2- Minissérie-O mundo secreto de Kaspar Kaperger





-Liga para ele não, Bigodão, ele não tem a sua classe!
Kaspar respondeu.
-Você quem pensa, garoto! Eu sou chique também!
-Iiiih, azedou o clima, Kaspar!
Disse Teresa, que olhou para a cara agora carrancuda de Bigodão, que respondeu com todo o seu mau humor:
-Classe? Ha, você não passa de um burguesinho presunçoso, não é um aristocrata como nós aqui, não tem berço, não tem nossa tradição!
-Calma, meu bem, não fica nervoso, a Caravan passa...
Disse Teresa, apreensiva.
Por coincidência passou uma perua Opel na rua, e os três  riram à vontade, pois as peruas da Opel sempre foram designadas Caravan, entenderam a piada?
Logo o dono do BMW Série 5 saía com seu carro, para o alívio de Kaspar e seus amigos, mas logo depois, o vizinho da direita tirou seu carro esporte, um Porsche 911.
-Ih, olha só, tinha de aparecer o Desdentado !
Provocou Bigodão, que apesar de sua cara sisuda, era pródigo em fazer piadas com os outros.
-Desdentado é a sua avó! Respondeu o Porsche.
-Não fale assim da minha querida e falecida Frau Heckflossen (*) ! Ela não tinha o motor no traseiro que nem você!
(*) Heckflossen foi uma geração antiga de automóveis Mercedes Benz, identificada pela fábrica como W111, nos anos 60, e tinha como cararcterística a traseira tipo “rabo de peixe”

Agora não tinha mais jeito, os três amigos riram a valer !
-Ora, seu velho empertigado...
Disse Desdentado, que não teve tempo de ouvir mais nada , pois o vizinho entrou no Porsche e foi embora.
-Os vizinhos todos me adoram, Kaspar, você viu?
-Oras, não sejas tão irônico, querido!
Disse Teresa, com meiguice.
Mas Kaspar ria à vontade, e sua mãe o via rindo sozinho e não entendia nada do que acontecia.
-Kaspar, estamos curiosos, agora que não tem mais ninguém para atrapalhar, nos conte suas novidades de hoje, por favor!
-Tudo bem, Teresa, vou contar então!
E era assim: todo dia ele ansiava para contar as novidades do dia anterior aos seus amigos de quatro rodas, e como estão vendo, era muito divertido !
Eles ouviam suas queixas, suas dores, consolavam suas tristezas, compartilhavam com ele suas alegrias, o aconselhavam nos seus momentos de raiva ou de revolta, quando ele brigava com seus pais ou com os colegas de escola.
Passear com o Bigodão ou com a Teresa o deixava muito feliz, e ‘as vezes seus pais o deixavam esperando no carro enquanto iam buscar alguma coisa em algum comércio, e ele aproveitava para conversar com seus amigos de quatro rodas. Lá dentro ele se sentia protegido e querido.
Mas o tempo passou, e ele foi crescendo, e um belo dia seu pai o ensinou a dirigir.
E foi no Bigodão, para a sua alegria, que Kaspar  aprendeu a dirigir !
O dia em que sua carta de motorista saiu então, foi um dia muito feliz!
Mas o dia seguinte não seria: Kaspar ouviu seu pai falar com sua esposa que o Bigodão já estava velho e ultrapassado e era hora de trocar por um carro mais novo!
Naquela mesma noite, depois que todos foram dormir,ele contou a notícia para  Bigodão e Teresa, que como ele, ficaram muito tristes.
-O que será de você , Bigodão? Você sempre esteve comigo mesmo nas horas mais difíceis, sempre me ajudou quando eu precisei e não quero me separar de você! Nunca! Eu não vou deixar!
-Infelizmente não há nada que você possa fazer, garoto. Seu pai me levou na concessionária, onde adquiriu um 500 SEL novinho, que vai ser entregue na semana que vem...o que será feito de mim? Entrarei no negócio e ficarei no pátio de carros usados, para vender, até que apareça um novo dono e me leve para casa, mas, para minha dor, não poderei mais te ver, nem à minha amada Teresa, da qual  terei de me separar contra a vontade...
-E eu provavelmente serei a próxima a ter este destino, Kaspar, sinto muito...mas olha, você terá novos companheiros em breve, e tenho certeza de que você e eles serão bons amigos, vocês vão se dar muito bem! E pode ter certeza, eu e meu amado Bigodão nunca nos esqueceremos de você!
-Eu não quero novos companheiros, eu quero vocês ! Eu nunca terei companheiros tão legais e leais como vocês !
-Meu jovem, olha, nós somos apenas máquinas, não...não estaria na hora de você arranjar amigos humanos como as outras pessoas? Infelizmente, nós carros ficamos velhos e somos substituídos, em muitos casos abandonados, ou ainda acabamos morrendo em um ferro velho...
-Eu não sou outras pessoas, Bigodão, você não entende? Eu sou eu, singular, único, não sou como os outros e tenho orgulho disto!

(Por continuar)