quarta-feira, 5 de abril de 2017

Episódio 50-Admirer Voyages !




                
-Stephanie, abra um canal para a Capitã !
-Sim, senhora, Imediata.Pode falar !
-Capitã? O conflito já terminou. O Imperador de Junai se rendeu. É melhor a senhora vir falar com ele !
Com cara de sono, Dina respondeu:
-Estou indo ai...
Ela levantou-se da cama, se vestiu, se penteou e foi caminhando desanimadamente até a ponte.
-Vossa majestade, lhe apresento a Capitã de nossa nave, Dina Russel Janessey.
-Vossa Majestade, eu gostaria de lhe pedir perdão por nossos atos...nossa intenção original era de vir em paz, em missão diplomática, mas infelizmente, estas não foram as ordens superiores que recebemos...fico extremamente constrangida e consternada por tamanha devastação de vidas...
-Nada há que se possa fazer agora, a não ser cessar fogo, Capitã.Porém, pelo pouco que conversei com seus agressivos superiores, isto parece estar fora de cogitação, embora quase toda nossa frota e capacidade de defesa e ataque tenham sido destruídas e mais da metade de nossa população tenha perecido...cinco e meio bilhões de pessoas faleceram em todo o planeta, com os ataques de vocês !
Dina quase desfaleceu ! Cinco e meio bilhões de pessoas mortas em poucos minutos de guerra !
Seus olhos ficaram rasos de lágrimas, ao ver as lágrimas do Imperador.

-Vossa...vossa...Majestade...não não há palavras...não há palavras que possam expressar meu horror com tamanho genocídio e massacre...
-Infelizmente esta é a realidade. Bom, terei de falar novamente com seu superior...desligando...
E a ligação terminou.
Dina desabou em sua poltrona, estarrecida, consternada...
-E...e não há nada que possamos fazer...eles já se renderam, seria covardia extrema, muita crueldade voltarmos a atacar agora...eu...eu não aguento mais de remorsos...Monique, tire-nos daqui ! Volte a implementar o rumo do cemitério de naves-monstros...Dóris, Zarp  oito mil !Agora !
-Sim, Capitã !
Disseram as duas.
E a nave disparou para fora do sistema solar de Junai.
-Capitã, mensagem do Almirante Pulitzer!
-Coloque na tela, Stephanie, por favor.
-Capitã, você ficou maluca?Para onde está indo? Volte imediatamente, temos de continuar atacando !
-Maluco está o senhor, Almirante ! Eles já se renderam! Não tem necessidade de continuar atacando e sim, sentar ‘a mesa para assinar o armistício !
-Você enlouqueceu mesmo ! Armistício? Temos que dar lucro para as corporações de vendas de armas, se esqueceu?Quanto mais destruirmos o planeta, mais favoreceremos a mega empreiteira Heardtzell !Temos que dar lucro para nosso planeta e nossas empresas!
-Pombas, mas como você é cruel e insensível, seu fascista ! Cinco e meio bilhões de vida se foram, desgraçado, não entende?
-São vidas inimigas, não importam, vidas não dão lucro, mortes dão !Volte imediatamente, isto é deserção !
-Não volto, não volto mesmo, eu cansei de ser assassina !Eu tenho consciência, caramba !
-Se você não voltar agora, sua comunistazinha prostituta, égua ordinária,cadela imunda, vagabunda, eu vou te mandar para a Coorte Marcial e você vai ser expulsa da R-KASF e ainda será presa por Alta Traição e Deserção !
-Pois faça isto, seu nazista de uma figa !Não estou nem aí ! Se você fizer isto, eu denuncio todos os abusos sexuais e estupros que você cometeu na sua vida e na sua carreira, sem falar que denunciarei todas as suas corrupções, tenho provas de tudo !Tarado !Pervertido ! Pedófilo ! Monstro !
O Almirante voltou-se para seu oficial de comunicações e disse:
-Abra um canal com a Almirante do Encoraçado Classe Titãnia Kss Onipotentia, e peça para ela perseguir e destruir a KSS Admirer !
-Sim, senhor, Almirante.
Depois ele voltou a falar com Dina.
-Capitã, você ouviu minhas ordens. Depois de ouvir todas as suas ameaças, você terá de morrer !Você e toda a sua tripulação. A Onipotentia irá caça-las impiedosamente e destruí-las. Desligando a transmissão. Adeus !
-Capitã, a KSS Onipotentia está zarpando e vindo em nossa direção, com escudos defletores levantados e armas carregas e prontas !
-Não somos páreo para as armas deles. Mas somos muito, muito mais velozes ! Dóris, aumentar a velocidade para Zarp Máximo !
-Sim, Capitã !

(Por Continuar)

Episódio 8: As Piratas também Sonham:O Resgate de Amélie !




                     
O tempo passou e logo o Interventor chegava nas Ilhas Toughway, e suas escarpas e aguilhões perigosos.
O navio navegava devagar, com muito cuidado, para não bater em alguma das afiadas rochas submersas.Por fim, parou no meio daquele labirinto, atrás de um imenso escarpado que podia facilmente esconder um navio inteiro e suas velas.
Durante aqueles dias de viagem, Amélie foi aos poucos se aproximando de novo de Bestini, mas depois de tantos abusos de Tobias contra ela todas as noites, ela estava tão traumatizada que não conseguia aceitar a presença de homem algum na frente dela.
Bestini, procurou cuidar dela , com cuidados e respeito paternais o melhor que pôde, mas não se conformava com o sofrimento da menina e os abusos e estupros que  o seu capitão fazia com ela.
Então, naquela noite, ele resolveu se revoltar. Ele planejou, para a noite seguinte, um motim: ele entraria na cabine e mataria seu capitão, como prova de seu amor paternal por Amélie e daria sua vida por ela. Ele sabia que tal atitude seria fatal para ele, mas ele dizia a si mesmo que se ele morresse para protege-la, seu gesto valeria a pena, pois ela não mais sofreria.
Ficou a noite toda planejando seu ato em todos os detalhes.
Enquanto isto, ao cair daquela mesma noite, o Black Marlin já estava a poucas horas das Ilhas Toughway.
Por isto mesmo, June ordenou que o navio fosse parado, as velas recolhidas e fosse lançada a ãncora, e a razão era muito simples: seria temerário navegar por águas tão traiçoeiras ‘a noite, sem conseguir enxergar as rochas, aguilhões e escarpas afiadas no caminho.
Na manhã seguinte, o navio zarpou e prosseguiu viagem. Diana ficava de olho nas formações rochosas e transmitia o que via para Juliette, que as comunicava ‘a hábil timoneira Bianca, que ia se desviando.
Foram esquadrinhando ilha por ilha até que por fim:
-Navio ‘a vista ! É Pirata ! E está parado ! É o Interventor !
Gritou Diana.
-Muito bom !Meninas, postos de batalha ! Vamos invadir aquele navio !Vamos resgatar a Amélie !
Gritou June.
-Como vamos nos aproximar, Capitã?
-Bom, parece que ainda não nos viram, então vamos nos aproximar pela lateral, já com nossos canhões carregados e prontos. Eles estão parados e com âncora, portanto demorariam para poderem zarpar e manobrar, e também, se conseguirmos nos aproximar discretamente, eles não terão tempo de abrir as janelas, colocar seus canhões em posição e carrega-los, então poderemos atirar nos canhões deles, desarmando-os e os pegando de surpresa!
-Então, teremos de fazer silêncio até a hora do bote, Capitã!
-Exato, Imediata, é por aí mesmo !
O Black Marlin se aproximava sorrateiramente e vagarosamente de seu alvo.E logo já estava com seus canhões armados e prontos para atirar.
Enquanto isto, no Interventor, naquela manhã, era justamente Bestini quem estava de vigia, e na verdade ele viu o navio inimigo e o reconheceu.Só que não contou a ninguém. Desceu de seu posto e quando ainda deslizava pelo mastro, viu o Capitão adentrar a cabine.Ele pressentiu que a hora era agora, tinha de agir agora ou nunca!
Terminou de descer, e caminhou pelo tombadilho, com sua espada na mão.
Tobias abriu a porta e viu Amélie chorando em posição fetal depois de ter sido novamente abusada a noite toda.
-Quero mais, mandriã !
O rictus do horror tomou conta da face da menina, distorcendo-se.
O Capitão tirou seu casaco e começou a desabotoar sua camisa, quando de repente, a porta da cabine fora arrombada com um violento pontapé, e Bestini apareceu de espada em riste, apontada para seu Capitão:
-Não desta vez, senhor !Não desta vez ! Não vou deixar !
-Você está me traindo, Bestini? Isto é motim ! E você sabe bem o castigo que se recebe por motim: a morte ! Quer morrer, Bestini?
-Por ela eu morro sem pestanejar, senhor !Vou dar minha vida para protegê-la!
-Mas é um fanfarrão mesmo...merece morrer !
Disse o Capitão Tobias, esgueirando a mão para sua espada no pé da cama.
Amélie percebeu a manobra e gritou:
-Cuidado, ele vai pegar a espada !
Bestini foi mais rápido, e sua espada varou o ventre do Capitão de fora a fora, que regurgitou sangue, encolhendo-se de dor.
Os demais piratas, alertados pelo barulho, correram para a cabine.
-Você matou nosso Capitão, infeliz ! Morra !Disseram os outros piratas, e, valentemente, Bestini começou a enfrenta-los sozinho.
Nes te exato momento, as piratas do Black Marlin atiraram com seus canhões, jogando violentamente o Interventor contra as rochas.E logo depois encostaram seu navio no navio inimigo, desceram o pranchão e o invadiram.
Os piratas do Interventor foram pegos de surpresa, pelas costas, e vários morreram com tiros de mosquetes e pistolas. Os restantes, em inferioridade numérica, tentaram revidar, mas sem uma liderança, e em total desordem, pois sequer tiveram tempo de pegar suas armas de fogo, foram alvos fáceis para as ferozes piratas, em especial June, Long Legs Laura e Léia, que foram matando a torto e direito e abrindo caminho entre os mortos.

(Por continuar)

Episódio 3- O Mundo secreto de Kaspar Kasperger




Kaspar estava imensamente revoltado com aquela realidade cruel, de certa forma decepcionado e se sentindo rejeitado com as vãs tentativas dos seus amigos de quatro rodas de o consolar!
Era a primeira vez que Kaspar tomava ciência de que carros também não eram eternos e podiam desaparecer da sua vida e sem nunca mais os encontrar, uma face dura e cruel da vida não só para eles, mas para ele igualmente ,pois os tinha como amigos e até então, achava que amizades durassem para sempre!
Então, uma noite depois, Kaspar pegou as chaves do Bigodão escondido, e abriu o portão da garagem, aproveitando-se que todos tinham ido dormir.
Entrou no carro e deu a partida, o motor pegou na hora.
-Kaspar, onde vai me levar a esta hora? Seu pai sabe que estamos saindo?
-Eu não vou te deixar te levarem, Bigodão, não vou mesmo!
-Meu jovem, é muito perigoso a gente sair à noite, sem consentimento, sem destino, você ainda é muito inexperiente !
-Ninguém me segura mais, eu vou, nós vamos!
Kaspar ligou os faróis, deu ré, e ganharam as ruas, e saíram correndo livres velozmente, e logo pegavam a estrada.
-Garoto, estou te falando, a polícia pode aparecer, você está correndo muito, se eu bater eu irei morrer ou poderei ir direto morar no ferro velho, e você pode se machucar sériamente ou mesmo morrer, nesta velocidade posso não ser capaz de te proteger, por favor, vamos voltar!
-Não, não, eu não vou te entregar para ser vendido! Nunca vou deixar você ir embora!
Repentinamente começou a chover e a pista ficou escorregadia.
Veio a aquaplanagem e  Kaspar perdeu totalmente o controle e rodou muito rápido.
Em desespero,  ele não sabia o que fazer, parecia que iam bater!
Para a sorte deles, pararam a centímetros de um barranco.
Pálido de medo, trêmulo, muito a contragosto  Kaspar resolveu voltar, desta vez bem mais devagar.
Porém, quando já estava perto de casa, tomou outro susto:
Cruzando o caminho dele estavam seus pais, a bordo de Teresa, procurando desesperadamente por Kaspar!
O garoto parou imediatamente o carro, e seu pai estava furioso: Kaspar  levou a maior bronca de toda a sua vida, e sua mãe assumiu o volante do Bigodão, enquanto Kaspar sentava no banco do acompanhante de Teresa, com seu pai dirigindo.
O garoto ficou um dia inteiro de castigo, mas a punição mais pesada para ele foi ser forçado a ficar longe de Bigodão e Teresa!
No dia seguinte ao término do castigo, Kaspar pediu desculpas aos dois, que no entanto, não ralharam com ele e procuraram  consolá-lo novamente. Então, antes de sair da garagem, Kaspar fez uma promessa solene:
-Bigodão, eu juro que você vai ser o meu carro ! Eu nunca vou te abandonar e vou passar o resto da minha vida procurando por você onde for, vou te encontrar e te restaurar, você vai ficar novinho de novo, você vai ver ! Vamos ser companheiros para sempre ! Eu juro, juro mesmo, e tudo o que eu juro e prometo, eu cumpro, você me conhece, é uma questão de honra para mim e eu levo a honra muito a sério !
Bigodão olhou para Teresa com um olhar comovido, emocionado, mas descrente e suspiraram...
O dia em que seu pai foi levar Bigodão para a concessionária para entrega-lo foi um verdadeiro drama para Kasper:
Ele entrou no carro e o garoto  pediu ao pai diversas vezes para que não o entregasse, mas, de cara fechada com sua revolta, e também com a testa franzida de preocupação, seu pai entrou no carro e saiu com ele ganhando a rua.
Sua mãe tentou  abraça-lo para tentar  segurá-lo e o consolar, e ela estava de olhos rasos, mas ele se desvencilhou e saiu correndo atrás do carro:
-Bigodãaaaao, não vá embora, não vá, não me deixe sóooo!
Mas, triste, ele era uma máquina comandada por mãos e pés humanos e se foi. Anos depois seu pai  contaria para Kasper: não era só a mãe dele que ficara de olhos rasos, também seu pai os tinha ao ir para a concessionária...
Kaspar voltou para a garagem e abraçou sua mãe, chorando convulsivamente, e ela tentava  consolá-lo com carinho.
Aquele fora talvez o dia mais triste de sua vida, e Teresa também estava extremamente triste, e ,abraçado com sua mãe, Kaspar olhava para Teresa, e notava, podia sentir o quanto ela estava deprimida e emocionada, o quanto ela estava sofrendo: ela também gostava muito do Bigodão !
Algumas horas depois seu pai chegava na nova 600 SEL do ano, e a colocou na garagem, e para Kaspar,  vê-la chegar no lugar do velho Bigodão foi de cortar o coração ! Ele tinha se apegado muito, era como se ele fosse o avô que o garoto nunca tinha tido na vida!
Não era a mesma coisa, com aquele carro eu não se identificava, e tinha raiva dele por ter tomado o lugar do Bigodão em sua vida, e com ele Kaspar não falava e ele também ficava em silêncio: para o garoto, ao contrário dos carros a que ele tinha se apegado, ele não significava nada, então não havia como ter uma comunicação ali, pois ele, ao contrário de Bigodão e Teresa, para Kaspar não tinha alma !

(Por continuar)