quinta-feira, 6 de abril de 2017

Episódio 51 -Admirer Voyages !



               
A Admirer disparou a Zarp vinte e sete mil, enquanto a Onipotentia chegou no seu limite de velocidade de Zarp oito mil e oitocentos, e, vendo-se incapaz de alcança-las, disparou quatro mil e setecentos torpedos exitus ao mesmo tempo, travados no alvo.
-Capitã, temos quase cinco mil torpedos exitus atrás de nós ! Se nos atingirem, nos destruirão !
-Entendi, Wendy. Frida, qual a velocidade máxima dos torpedos exitus?
- Zarp vinte e quatro mil, Capitã!
-Dóris, estamos viajando a qual velocidade?
-Zarp vinte e sete mil, senhora !
-Então muito bem, não vão nos alcançar !Logo estaremos fora do alcance deles !Ah, Isolda, como foi bom você ter conseguido aumentar a velocidade de nossa nave !Agora somos a nave mais veloz da R-ASF !
A Onipotentia ficou para trás, muito para trás, incapaz de alcançar seu alvo, e seus torpedos chegaram ao limite de seu alcance e explodiram no vazio.Nem mesmo a onda de choque deles conseguia alcançar a velocíssima nave!
-A Onipotentia desistiu da perseguição, e as armas deles já detonaram a uma distância segura de nós, Capitã. Eles estão voltando para Junai.
-Obrigada, Wendy, esta foi por pouco !Uff, que alívio !Por falar nisto, como está a situação em Junai?
-A flotilha retomou o fogo, Capitã...
-Ah, não, coitados dos Junai...
-Capitã, acabei de receber uma mensagem urgente do Estado Maior da R-KASF, ordenando que toda a flotilha suspenda o fogo e que o Almirante Pulitzer vá a capital de Junai assinar o armistício!
-Ainda bem ! Ao menos eles tem algum juízo e humanidade...
-O Almirante Pulitzer se declarou indisposto e nomeou a Almirante da Onipotentia para ir assinar o armistício!
-Ah, eu sabia, Stephanie !Eu tinha certeza que aquele nazista não ia obedecer uma ordem destas...
-Capitã, outra mensagem do Estado Maior, desta vez só para nós!
-Ignore, feche o canal. Não vamos dar ouvidos a eles. Vamos continuar em frente . Somos rebeldes !
Disse Dina, mais animadinha.
Enquanto isto, Rizel, a médica ecchiana que era passageira convidada, estava algo entediada.
Sentada numa das poltronas do observatório panorâmico do final do disco da nave, já tinha se cansado de observar o espaço.
Resolveu então explorar a nave e tomou um elevador, indo parar no corpo principal da nave.
Caminhando pelos corredores, viu uma porta aberta e resolveu entrar.
O que viu foi um salão enorme, com um gigantesco tubo no meio, e uma profusão de computadores e painéis digitais para todo lado, alguns com lugar para sentar, outros não. Haviam várias moças com o uniforme de oficiais engenheiras trabalhando por ali, todas de costas para ela, entretidas em seu trabalho.
Repentinamente, ela ouviu:
-Ei, você não pode entrar aqui !Aqui é área restrita, é a Engenharia ! Só altas oficiais podem entrar!
-Ai, desculpe, senhorita...
-Isolda !Sou a engenheira chefe da nave.
-Ai, desculpe, senhorita Isolda, eu estava entediada e estava procurando conhecer melhor a nave...
-Entendi, mas existem áreas da nave onde a entrada é proibida!
-Tudo bem, vou me retirar então.
-Isto mesmo, faça isto, por que aqui é perigoso para pessoal não autorizado ficar.
Rizel então saiu da Engenharia e ganhou os corredores de novo.
Isolda então usou seu comunicador:
-Sacha, nossa passageira deu uma de bisbilhoteira e veio espiar aqui na Engenharia. Acabou de sair. Disse que estava entediada e e estava explorando a nave. Melhor você interceptá -la e a acompanhar, para mostrar só as áreas onde ela pode ver!
-Entendi, meu amor. Estou indo, localizarei a ela rapidinho ! Que bom, eu estava entediada também, ao menos é alguma coisa para fazer!
Sasha consultou no seu terminal da segurança, de seu escritório, os sensores internos da nave, e não demorou, localizou Rizel. Tratou de sair do Departamento de Segurança e ir atrás dela.
Não demorou, a encontrou.
-Olá, Doutora Rizel, eu sou a Sasha, a Chefe da Segurança !
-Ah, não, você veio me prender?Eu...acabei entrando numa área proibida sem querer...
-Normalmente , se você fosse uma terráquea civil e fizesse isto, poderia ser presa mesmo. Mas como você é uma convidada estrangeira,isto geraria um incidente diplomático, que ninguém quer, então desta vez passa.Minha namorada Isolda já me contou onde você esteve, então, bom, eu também estou entediada e sem nada o que fazer como você, então, vamos dar uma voltinhas por ai.

(Por Continuar)

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Episódio 9-As Piratas também Sonham;O Resgate de Amélie !





Os piratas tiveram de deixar de lutar com Bestini, para lutar com as invasoras, e o Imediato tratou de soltar Amélie das correntes e a carregar nos braços, procurando protege-la.
Foi quando ele se viu frente a frente com June:
-Por favor, leve-a, cuide bem dela! Salve-a, pelo amor de Deus !
June ficou espantada com o gesto dele, mas sequer teve tempo:
Tobias, já morrendo, mas ainda vivo, se arrastando para fora da cabine, tinha uma pistola na mão e gritou:
-Morra, traidor desalmado !
E atirou !
O tiro acertou-o em cheio e Bestini caiu, e June aparou a garota jogada no ar na direção dela, e o Imediato chocou-se com o chão numa poça de sangue:
-Papai ! Papai ! Nãaaaaooooo !
Gritou Amélie, aos prantos.
Mas Bestini estava morto. E Tobias também. E eram os dois últimos piratas a morrerem.
-Vamos embora daqui, não há mais nada a fazer nestas paragens de morte !
As piratas voltaram ao seu navio, retiraram os ganchos de invasão e o pranchão , levantaram ãncora e zarparam.
O Interventor, devido ao rombo no casco provocado com seu choque na rocha afiada, começou a afundar, com seus mortos.
Enfim, o pesadelo de Amélie terminava.
Mas a culpa que ela sentia por ter odiado o único homem que se revelou um verdadeiro pai para ela, que a cuidou, que a protegeu como pôde, e deu sua vida para que ela pudesse viver e ser feliz, a perseguia como um fantasma.
Ao se afastar daquelas ilhas malditas, o Black Marlin agora navegava em águas seguras.
Amélie foi acolhida com carinho pelas garotas e por Celine e Melissa também, que com ela se identificaram muito, por serem da mesma faixa de idade.
Ela recebeu novas roupas e um tapa olho de couro.
Naquela noite, Amélie foi dormir na rede. Mas não conseguia ferrar no sono.
Ela se levantou, ainda de camisolão, no meio da madrugada e subiu ao tombadilho naquela noite de Lua Cheia, e murmurou:
-Bestini, oh, Bestini...papaizinho...nunca vou me esquecer de você...eu...eu te amo !
Ela olhava o mar, do parapeito, e então, uma imagem algo leitosa se formou na água, e tomou  uma forma humana.
-Papai !
-Sim, filha, eu não estou mais vivo, mas não temas...eu também te amo, minha filha, e estou muito feliz por agora você estar em segurança e cercada de amor e carinho como você merece !
-Obrigada, papai, muito obrigada, eu...eu nunca vou me esquecer de você, o único homem que nunca me fez mal, nunca fez maldades comigo...vou sempre te amar, eu juro...
-Eu também, minha filha, agora que não estou mais entre os vivos para poder cuidar de você, cuide-se, por favor e viva, viva muito e seja muito feliz !Agora preciso ir...
-Papai, ai, papai...vou ficar com tantas saudades...
-Olhe em seu bolso nas suas roupas. Lá tem um lencinho que bordei para você, nunca o perca, guarde sempre consigo, para que sempre se lembre de mim...Adeus, filha...Te amo !
-Adeus, Papai....te amo, te amo muito...
E a imagem desapareceu.
Amélie chorou copiosamente, com as mãos no rosto.
Voltou para sua rede, e procurou nas sua roupas e encontrou o lencinho, dobrado com cuidado. Abriu-o. Havia uma inscrição nele:
“De Bestini para Amélie, com amor, carinho e devoção,para sempre se lembrar de mim. Assinado:Papai !”
As lágrimas não paravam de escorrer pelo rostinho delicado de Amélie, de seu único olho.Ela abraçou o lenço e o colocou junto ao coração, e o sentiu reconfortado e quentinho.
Depois de muito chorar, dormiu, lembrando do sorriso amável e franco de seu pai adotivo, que ela nunca mais em sua vida esqueceria...

(Por continuar)

Episódio 4- O Mundo Secreto de Kaspar Kasperger





E seus pais não tinham idéia do quanto aquilo significava para ele...
Foi no dia seguinte que  Kaspar sentiu naquela garagem a aridez de um deserto. Bigodão não estava mais ali, e o carro novo? Ah, ele continuava a não conseguir sentir nada por ele, exceto pelo sentimento de raiva, frustração, impotência, um intruso que estava ali contra a sua vontade, e que se dependesse de Kaspar, não teria lugar ali,  emburrado, ele  não falava com ele não falava com ninguém.
Teresa se sentiu tão deprimida   ao notar que o garoto parara de falar com ela e remoía seus ressentimentos e mágoas em silêncio, que também ela se calou. Ela já ficara triste pela ausência do Bigodão e seu carisma que dominava o ambiente, que Kaspar deixar de falar com ela e ela presenciar seu sofrimento foi demais para ela...
Ou, pior, sua capacidade de falar com os carros e entender o que diziam se esvaiu. Uns tempos depois  ele tentou retornar a falar com Teresa, mas não houve resposta. De repente tudo era um silêncio mortal. Na época, ele não sabia se ela é que se calara, se ele que tinha perdido minha habilidade mágica de conversar com os carros e entrar em sintonia com a alma deles, ou o que, afinal, tinha acontecido. Só sabia que aquela constatação fora um grande choque, um trauma, como se algo muito importante tivesse sido tirado de si! Havia frio, vazio em sua alma, nem ele sabia expressar para si mesmo o que ele sentia...
Fosse Teresa que tivesse se calado, fosse o problema com a sua habilidade, só o silêncio imperou, um silêncio doloroso que lhe trouxe muitas saudades dos velhos tempos!
Para piorar, dias depois seus pais se separaram e ele e seus irmãos foram morar em outro bairro da cidade com sua mãe.
Teresa, ao menos, lhe era familiar, mas alguns meses depois também ela se foi, substituída por um C230 K Touring, a qual também não falava nada com ele, nem ele com ela, e por quem ele nada sentia. O ressentimento, a dor, a tristeza, a mágoa, o trauma eram os mesmos, ou talvez até piores, pois agora nada mais havia de familiar naquela parte da sua vida.
Não obstante isto, sua mãe sempre lhe emprestava o carro dela e ele ia na concessionária ver o Bigodão, no pátio de carros usados para venda. Mas, para sua tristeza e decepção, ele também não mais falava. Parecia morto, pois nem o ouvia também. Ou talvez ele que já fosse incapaz de escutá-lo...
Um dia ele voltou de uma destas visitas (e ele o visitava todos os dias, obcessivamente), e não o encontrou mais. O vendedor  explicou a ele que ele tinha sido vendido, mas se negou a revelar para quem, o endereço, etc.
Ao estacionar o carro de sua mãe na garagem da casa dela, Kaspar sentiu a maior solidão da sua vida e chorou, chorou muito, até que viu, passando pela calçada uma linda  moça ruiva da mesma idade que ele.
Aquela visão lhe despertou algo que nunca sentira antes: paixão!
Dias depois, ele ganhava de seu pai meu primeiro carro: uma Classe A 190 prata, com a qual eu se identificou imediatamente.
Mas agora já influenciado pelo fogo da paixão, já não mais falava nem conversava com carros.
O tempo passou, e de tanta insistência, Kaspar conquistou Gretel, a ruiva por quem ele me apaixonara.
Kaspar  agora já era formado em engenharia e estava independente e foi morar sozinho. Não demorou  e Gretel foi morar com ele e os dois se casaram.
Mas Kaspar nunca me esquecera de Bigodão. Ele sonhava com aquele carro toda noite, e em seus sonhos Bigodão lhe pedia socorro!
Kaspar passou a procurá-lo, obstinadamente, pois lembrou-se de sua promessa; agora que ele já tinha seu próprio dinheiro e ganhava bem, a ponto de ter trocado a velha Classe A por um potente C240 2.6 ;  ele viajou a Alemanha toda procurando por Bigodão, e ele  tinha um forte pressentimento de que eu iria encontra-lo.
E de fato, um belo dia, encontrou-o em um ferro velho, e o salvou de ser prensado e destruído. Colocou-o em um caminhão no estado em que estava, para sua garagem e foi comprando as peças e ele mesmo o foi restaurando ‘a mão.
Depois de muito tempo restaurando-o, já era tarde da noite, quando  Kaspar finalmente terminou.
Feliz, com um sorriso de menino no rosto, capô baixado de novo, ele deu a partida. Nada! De novo e de novo, nada !
Desesperado, começou a revisar item por item do sistema elétrico por algum engano, e não achando nada, ele disse em voz alta:
-Bigodão, por favor, desperta! Acorda, por favor, acorda! Eu sei que você está aí em algum lugar !
O portão da garagem estava aberto e a lua cheia brilhava no céu, e então Kaspar  vi uma estrela cadente passar.
Emocionado, eu disse:
-Estrela, minha estrela da sorte, faz ele voltar, por favor, te peço do fundo do meu coração, faz  ele voltar!
Não se sabe  se foi impressão a dele, mas lhe pareceu que a estrela cadente brilhou, e a estrela no alto da grade de Bigodão brilhou ao luar também, e repentinamente, para a sua surpresa, súbitamente  seus faróis se ligaram sozinhos e o motor pegou e rugiu com saúde, e logo depois a buzina tocou duas vezes!
-Estou de volta, garoto !
-Bigodãaaao !

(Por Continuar)