sábado, 16 de junho de 2018

Episódio 23- Sensibilidade de Viver:Gestação



No dia seguinte, após uma noite tranquila e reconfortante e de um lauto café da manhã bem cedo, providenciado por Takeo, Lune foi para seu primeiro dia de trabalho, enquanto Takeo ia para o trabalho dele.
Ela chegou ao prédio do Departamento de História, com sua pasta e sua bolsa. Agora não era mais a velha mochila escolar, ela é que era a professora, e nem tinha idéia do que teria de enfrentar.
Ela foi ‘a sala dos professores e assinou o ponto.
-Huum, professora nova aqui !Bom dia, novata, como se chama?
-Lune Tamasuki, vou  lecionar História Mundial para a classe 1-C!
-Eu sou Nagisa Sawakashi !A professora de História do Japão. Então  você entrou no lugar da Haruka Maranata, é isto?
-Não a conheci, infelizmente, hoje é meu primeiro dia aqui.
-Seis, sei, puxa, mas você é tão novinha...quase se confunde com os alunos...
-Senhora, eu tenho vinte e três anos de idade!
-Então é a mais novinha daqui, pois aqui ninguém tem menos de trinta e seis.
-Ser cronologicamente mais nova que você não me desqualifica...
-Aahaaam, com licença, novata...
-Meu nome não é novata, é Lune !
-Você comprou esta arrogância toda  no shopping ou no centro mesmo?Você deveria respeitar mais suas sempais..eu sou  Ninasa Yatamuchi, professora de...
-Arrogãncia é de vocês, Yatamuchi-sempai !Não tenho obrigação de respeitar a quem não me respeita !
-Huum, bravinha e insolente...deve ter aberto as pernas para alguém para entrar aqui...
SPLAAAAFT !
Soou o tapa de Lune na cara de Nagisa!
-Eu não sou prostituta para abrir minhas pernas para ninguém, Yatamuchi-sempai,eu sou uma mulher digna ! E sou casada, se quer saber ! Agora com licença que tenho de ir ministrar minha aula !
Nagisa, espantada, caída sentada no chão , ficou de queixo caído! Seu olhar, porém era de fúria!
-Ela vai pagar por este atrevimento, este  insulto!Ai, meu traseiro !
Disse Nagisa para Ninasa.
As demais professoras ficaram olhando espantadas.
Lune procurou espantar a irritação de sua cabeça.Já começara brigando com as colegas logo no primeiro dia, embora ela não tivesse culpa das provocações delas. Mas a mentalidade típica japonesa de fazer tudo pelo coletivo anulando-se a si mesma, e de obedecer a uma rígida hierarquia com base na idade e na experiência, em que as mais novas teriam de se submeter ‘as mais velhas e sofrer caladas todo tipo de provocações e humilhações a revoltava, era algo que ela não aceitava e que criticava muito.
Ela entrou na sala de aulas, pensativa.
A classe era predominantemente feminina, havia poucos alunos e muitas alunas.Todos na faixa de dezoito a dezenove anos de idade.
Como mandava a tradição japonesa, eram todos muito ordeiros e tímidos.Ou pelo menos era o que pareciam ser ‘a primeira vista.
-Bom dia, Tamasuki-sensei !
Dissea classe toda, em uníssono, levantando-se de suas carteiras, e cumprimentando-a com o cumprimento típico japonês, inclinando o torso para baixo.
Lune respondeu cumprimentando-os da mesma forma.
A educação deles lhe fez esquecer um pouco sua irritação e ela sorriu, respondendo logo depois:
-Muito obrigada !Bom dia a todos e todas vocês !
A classe se sentou novamente  e ficou em silêncio aguardando as ordens dela.
Foi quando Lune sentiu uma sensação de domínio sobre a classe, de autoridade, poder, mas também de responsabilidade sobre eles e elas. As expectativas  ali eram altas, não só da classe, mas da própria Universidade.
Ela depositou sua pasta na mesa professoral, olhou para a lousa, olhou para a classe, e sentiu o clima de expectativa no ar.Era a sua primeira aula, e sua primeira experiência como professora, e era a hora de colocar tudo o muito que tinha planejado em prática, pois ali, ali era a realidade. E ela sabia que não poderia vacilar, gaguejar, ficar nervosa, nem fraquejar ou se mostrar indecisa. Aquela classe dependia dela para se formar e adquirir conhecimentos, e ela precisava inspirar auto confiança em toda a classe, que tremenda responsabilidade !
-Bom, estou vendo que não precisarei me apresentar, já que já me conhecem.  Então começarei fazendo a chamada de presença !
Ela abriu sua caderneta e começou a chamada.
Quando terminou, e viu que a classe toda estava presente e terminou suas anotações, Lune se levantou da cadeira e  ficou em pé na frente da Classe.
-Bom, então vamos começar nossas aulas. Onde a antiga professora de vocês parou?
- Ela tinha terminado toda a Antiguidade e ia começar a Época Medieval, sensei !
-Ah, está certo, então retomaremos de onde ela parou. Muito Obrigada, Tamome-   kohai ! Por favor, abram seus livros na primeira página do capítulo sobre a Idade Média !
A classe obedeceu prontamente.
-A Idade Média não é conhecida como a Idade das Trevas ‘a toa. Foi um período de tremenda regressão , brutalidade e selvageria, foram tempos bárbaros, com muitas guerras, dentre elas as famosas Cruzadas, foi um período também de grande opressão popular, em que os Estados como conhecemos ainda não existiam, fragmentados em pequenos feudos regidos pela nobreza:Reis, Duques, Barões, Viscondes, Condes, etc....
E foi ministrando a sua aula.
Optou por colocar pouca coisa na lousa, pois era cansativo escrever nela e ela não tinha o menor talento para desenhar.
Naquele primeiro dia, a classe fora extremamente bem comportada, mas havia um aluno ali que a incomodava- era o mesmo que, quando da sua apresentação ‘a classe pela Diretora do Departamento, a ficara observando apaixonadamente.
Enquanto ela falava, ela percebia o olhar amoroso dele para ela, mas também de uma boa dose de desejo sexual por ela. Ele ficava no fundo da classe, e quando o sinal tocou e a aula acabou, denunciando o intervalo, ela esperou toda a classe se esvaziar, percebendo que ele seria o ultimo a sair, e disse a ele, com voz autoritária:
-Sato-kohai, precisamos ter uma conversa séria !
-Sim, sensei !
Os olhos dele brilharam. Lune continuava de pé na frente da classe e ele sentado no fundo.
-Mas que raio de olhares seus para mim são estes, Sato-kohai?Pensa que sou boba?Pensa que não percebi?
-Desculpe, sensei...mas eu...
-Ah, não ! Não me venha por favor com confissões amorosas para cima de mim !Olha o respeito para com sua professora, rapaz ! Eu sou casada, aliás, muito bem casada, e é uma atitude deplorável um aluno se envolver amorosamente com uma professora, além de crime, proibido por lei !
O rapaz ficou cabisbaixo, com olhar triste e caído.Lágrimas começaram a brotar odos olhos dele, mas Lune continuava implacável:
-Quando eu fui estudante, rejeitei dezenas de garotos na cara dura, sem dó nem piedade, exatamente como estou rejeitando você !Coloque-se em seu lugar e concentre-se só nos estudos, e não quero mais ver esta droga de olhar para mim nunca mais, fui clara?
Ela disse, em tom bem alto, com as mãos na cintura e olhar colérico fuzilando-o impiedosamente, humilhando-o de maneira cruel.
Na verdade, ela queria cortar o mal pela raiz, e impedir que a situação se agravasse e se tornasse constrangedora, colocando sua carreira e seu casamento em risco.
Mas apesar da humilhação e da mágoa, não havia ódio nem raiva no coração de Sato Ourichi. Havia sim, a determinação de conquista-la e o sonho de namorá-la e leva-la para o motel. Para ele, aqueles lábios carnudos e espessos, eram sensualíssimos, irresistíveis, e ele mal se continha em sua vontade de beijar a boca dela !

(Por Continuar)

Episódio 285- Admirer Voyages !

   
Rita usou seu comunicador:
-Alessandra, pode destravar a escotilha !
-Sim, Comandante Rita ! Escotilha destravada!
Agora Rita podia ver  o espaço sideral da saleta onde estava, e , claro, a nuvem densa.
Ela acionou os motores do seu traje astronáutico e saiu da nave, e a escotilha, que ficava bem no centro da lateral esquerda da nave, pouco abaixo e atrás de onde o disco começava, e ganhou o espaço sideral, admirando como era minúscula perto da nave.
Foi contornando até chegar ‘a frente do corpo principal da nave, onde o imenso disco oval estava.
Ela abriu uma pequena gaveta externa na lateral direita ao lado do disco, na borda externa do casco e retirou a película que estava guardada ali. Ela aplicou a película, que aderiu ao disco da altura de quatro andares  e foi a desenrolando e a aplicando com cuidado. Como não havia vento, nada atrapalhava.
Mas o temor dela eram os raios, que passavam perto.
Levou cerca de duas horas para aplicar a película, e depos ela foi no canto central direito e apertou um botão, que destravava o disco,permitindo que ele se movimentasse alguns centímetros em todas as direções, para a frente e para trás.
Outro botão na lateral acionou manoplas, que saltaram para fora, uma de cada lado, uma no alto e outra no canto inferior central.
Ela foi mexendo e reposicionando o disco, usando como referência seu computador de pulso, de onde saia uma tela tridimensional holográfica, e assim foi mexendo até chegar na posição exata que queria.
Mais meia hora e estava pronto. Fechou as maçanetas e gavetas e foi embora para em frente ‘a escotilha.
-Anne Paula, já terminei. Estou em frente ‘a escotilha, pode abri-la para mim, por favor?
-Claro, lá vai !
E a escotilha se abriu e Rita entrou.
O ar foi reposto na saleta com o fechamento da escotilha e a porta da saleta se abriu. Rita foi para o quartinho, onde tirou o traje astronáitico, e voltou para a Ponte.
Pouco depois:
-Engenheira Chefe Rita se apresentando na Ponte !
-Sejas benvinda de volta, Rita !
-Muito obrigada, Capitã !Solicitando permissão para testar as novas calibragens !
-Permissão concedida !
Rita foi ao posto de Anne Paula e se sentou ao lado dela.
-Vamos testar!Reinicie os sensores, Rita, por favor!
-Reiniciando sensores...
-Pronto, já reiniciou, inicie novo escaneamento !
-Iniciando...huuuum...nosso alcance antes era de no máximo doze metros com precisão, agora é de...cento e vinte quilômetros !
-É, melhorou, mas a nuvem tem cento e dez mil quilômetros de comprimento, não sei não se nos será muito útil...espero que a Admirer tenha melhor sorte !
Disse Valéria.
Por falar nisto, de volta para a Admirer:
-Engenheira Chefe Isolda se apresentando, Capitã !
-Muito bom, quem é viva sempre aparece !
-Em que posso ajudar, Capitã?
-Com as interferências nos sensores e inventando um jeito de eliminá-las.
Isolda assumiu seu posto no painel da Engenharia  da Ponte.
-Huuum, eliminar completamente, muito difícil, mas posso tentar melhorar o alcaçe com precisão.
-E de que maneira faria isto?
-Ah, Capitã, há várias. O modo tradicional, que a maioria das engenheuras faria, seria recalibrar o disco dos sensores manualmente e colocar uma película anti interferências nele, pelo lado de fora da nave.E tem o meu modo...
-Fiquei curiosa para saber o seu modo, Isolda...
-Pois não, senhora Imediata! Vou lhes explicar...

(Por Continuar)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Episódio 22- Sensibilidade de Viver:Gestação



Distraída, porém, Lune nem percebeu o olhar do rapaz para ela.
Ela então saiu da classe, e Mikasa continuou mostrando a Universidade para ela.
Por fim, tudo o que precisava ser visto foi mostrado, ela recebeu seu crachá, e Mikasa lhe deu as últimas informações:
-Senhorita Lune, preste atenção: aqui é uma universidade respeitável e tradicional, honrada. Portanto, exigimos certa indumentária para trabalhar aqui: saias até os joelhos, tipo executiva, de cores escuras, blusa de mangas compridas, sem decotes, branca ou escura combinando tom sobre tom, de tecido espesso, sem transparências. Sapatos fechados escuros de salto baixo. Tailleurs são permitidos, desde que discretos,e de cores escuras.Gravata feminina, só acompanhada de Tailleur, mas não é obrigatória, tem de ser estreita e escura também, tudo combinando. Meias brancas ou escuras quase até os joelhos. Calças compridas somente do tipo social, folgadas, escuras e usando ou um tailleur mais comprido ou uma blusa mais comprida por cima da calça de modo a esconder o traseiro.
-Sim, senhora, procurarei me vestir de acordo com as regras!
-Excelente! Lembre-se: nada de calças jeans, minissaias ou shorts, certo?
-Certo, senhora !
-Muito bem, agora, com licença, tenho muito a fazer!
Liberada, Lune foi para o carro.
E já dentro dele, pensativa, lembrou-se de que tinha poucas roupas que combinavam com as exigências da Universidade. Então, resolveu ir a um shopping comprar novas roupas.
Ganhou as ruas e foi ao shopping mais próximo.
Ela sinceramente não gostava muito destas roupas caretas e discretas, de cores escuras, mas não tinha jeito.
Tomou primeiro um lanche em um restaurante fast food na praça de alimentação, depois foi comprar as roupas.
Adquiriu três calças, quatro tailleurs, cinco camisas de manga comprida e quatro saias executivas, além de cinco pares de meias e cinco pares de sapatos, tudo no cartão de crédito.
Depois voltou para o carro. Agora já estava quase escurecendo, e Takeo não demoraria muito a chegar, se é que já não chegara.
Ela lembrou do jantar! Não , não ia dar tempo de novo de cozinhar nada, e teria de trazer comida de fora de novo. Passou em um restaurante de lámen, e levou dois macarrões para viagem, e voltou enfim para casa, esbaforida.
Porém, ao chegar na garagem, o carro de Takeo já estava lá...
-Iiiih, ele já chegou...vou levar bronca !
Disse Lune para si mesma, e pegou o elevador correndo.
Mal ela entrou no apartamento, ouviu:
-Oi, amor, que bom que você chegou! Como foi lá na Universidade?
-Foi tudo bem, querido!
E cumprimentou o marido com um selinho.
-Huum, vejo que trouxe comida...
-Desculpe,tive de comprar roupas para o trabalho, acabei demorando demais...vamos ter de comer comida de fora de novo...
-Imagine, querida, sem problemas, o cheirinho está muito bom !
-É macarrão lámen ! De porco com molho shoyu para mim, e de peixe com molho temaki para você !
-Excelente, amor, vamos jantar então, pode deixar que eu coloco a mesa !
-Oh, Takeo-kun, você é tão prestativo !
Colocaram tudo na mesa, se sentaram e jantaram.
  Foram a seus computadores após o jantar e foram dormir.
Lune foi a última a se trocar e colocar a camisola.
Ela se deitou na cama, do lado de sempre, o esquerdo, e se ajeitou debaixo das cobertas.
Não demorou, Takeo a abraçou por trás, tencionando dormir de conchinha.
Lune estava pensativa. Ela não estava acostumada a dormir acompanhada, todos os dias, muito menos a ter um homem a abraçando por trás durante o sono.
-Querido...
-Sim, meu amor?
-Pode me abraçar, mas ...não encoxe no meu traseiro, por favor. Nem toque em meus seios.Hoje quero apenas dormir...
-Sem problemas, fofa...
-Desculpe, eu sei que você deve ter ficado meio frustrado, mas...eu me acostumei a dormir quase todas as noites sozinha, ainda estranho alguém me tocando a noite inteira, abraçada, parece que fico presa, sem liberdade de movimentos, entende?
-Imagine, anjo, não precisa pedir desculpas, eu a respeitarei, como a tenho respeitado sempre.Eu é que te peço desculpas por ter te abraçado...
-Não, querido, não, por favor entenda, não é uma proibição, apenas preciso me adaptar, me acostumar, leva tempo, entende? Apenas acho que não precisa ser de conchinha toda noite...
-Entendi, querida.Você terá seu tempo, claro, o tempo que for preciso.Eu na verdade estava, para ser sincero, achando que era minha obrigação abraça-la e ficar de conchinha com você , pois senão eu correria o risco de você se sentir rejeitada por mim...eu normalmente durmo me revirando de um lado para o outro , trocando de lado a noite toda...
-Eu também tenho este costume ! Então, meu querido marido, vamos combinar o seguinte: vamos dormir, no comum das noites, como dormiríamos se estivéssemos cada um na sua casa, com liberdade, apenas dividindo a cama, e quando quisermos, de comum acordo, dormiremos de conchinha, está certo?
-E a conchinha não precisa necessariamente durar a noite toda, também, combinado?Quando quisermos desfazer a conchinha, a gente desfaz, sem precisar pedir, sem obrigações !
-Que bom que você me entende tão bem, Takeo-kun !Combinado! Então vamos de conchinha por enquanto, mas procure não roncar no meu ouvido, ok?
-Ok, amor, boa noite, durma bem e até amanhã !
-Você também,meu querido !

(Por Continuar)

Episódio 284- Admirer Voyages !



-Sim, Dina, mas não acredito que tenham fugido !
-Eu também não. A Amber acha que elas possam ter se escondido!
-Eu acho que ela está certa !E sei de um lugar perfeito, aqui pertinho, para ela se esconder: a Nebulosa Dendara-2 !
-Ela está certa, Capitã Dina, esta pequena nebulosa fica bem próxima, apenas dois anos luz daqui !
-Obrigada, Wendy ! Bom, Val, mas é um local perfeito para uma armadilha também !
-Claro que é armadilha, Dina, você sabe como piratas são traiçoeiras !
-Sei sim, e lá teremos bastante dificuldade com nossos sensores.Por isto mesmo, acho melhor uma de nós ir pela frente e outra circundar a nebulosa e ir pela parte traseira dela !
-Sim, mas temos sensores melhores que os delas! E nossas naves são menores, mais fáceis de esconder e de manobrar entre os asteroides.Mas ok, gostei de seu plano, vamos coloca-lo em prática, Dina !
-Ok, vamos sim , pegar esta corja!Dina, desligando !
De volta na Exploiter:
-Novo curso, Priscilla: vamos dar a volta em volta da nebulosa e entrar nela pela ponta mais distante.Thaís: velocidade ZARP2 até a entrada na nebulosa, depois velocidade mínima de manobra!
-Sim, Capitã!
A Exploiter fez uma curva para a esquerda e foi até a nebulosa, então saiu da velocidade Zarp, já em frente a ela, e  seguiu bem devagar em frente.
-Capitã, vamos entrar na nuvem agora !
-Priscilla, obrigada, todo cuidado é pouco, vá manobrando e desviando dos asteroides.Anne Paula, alguma coisa nos sensores?
-A Admirer também acaba de entrar na nuvem, mas já perdemos o sinal dela. Há muita interferência aqui, estamos quase que só no visual, bem precário !
-É como achar uma gigantesca agulha em um palheiro...
-Uh, mas que frase tão...século XX, Capitã !
-Verdade, Ceci, mas se aplica bem ao caso aqui!Alessandra, chame a Engenheira Chefe Rita  aqui, por favor!
-Sim, senhora, Capitã!
Neste meio tempo, na Admirer:
-Capitã, já perdemos o contato com a Exploiter !
-Agora então estamos por nossa conta, Wendy...tem alguma coisa das piratas?
-Nada até agora, Capitã, há muita interferência...
-Será que a Isolda não conseguiria dar um jeito nisto,Capitã?
-Não sei, Amber, mas não custa tentar...onde ela foi, por falar nisto?
-Ela foi ...ahaaam, ao banheiro, fazer...
-Não precisa falar, Amber, isto não importa. Deixa, daqui a pouco ela volta...
Já na nave pirata:
-Nem sinal das naves inimigas ainda, Capitã !
-Ah, Katrina,mas eu sinto em meus ossos, elas estão por perto, tenho certeza!Vamos permanecer paradas, a chance de passarem por nós e não nos verem é grande, aí as atacaremos !Agora é ter paciência e esperar !
De volta para a Exploiter:
-Engenheira Chefe Rita se apresentando, Capitã !
-Sejas benvinda, Rita. Estamos com muita interferência em nossos sensores por causa desta nebulosa. Consegue otimizar os nossos sensores para sobrepujar isto?É muito importante !
-Vou ver o que posso fazer, Capitã !
Rita foi ao posto de Anne Paula e olhou as análises dos sensores, da estrutura e componentes físico-químicos da nebulosa.
-Huum, estas interferências precisariam de uma filtragem , mas estão acima da capacidade dos filtros que já equipam os sensores do disco...
-Não seria possível uma reprogramação via software nos filtros, Rita?
-Ah, até é, Anne Paula, mas não acredito que seriam suficientes, não compensa, o ganho é marginal...teríamos de recalibrar manualmente o disco do sensor, do lado externo da nave! E instalar uma película anti interferência nele!
-Só no dianteiro, ou no traseiro também?
-O traseiro não permite calibragens externas. Melhor nos concentrarmos só no dianteiro mesmo. Capitã, para este serviço vou precisar da nave completamente parada!
-Entendi, Rita !Thaís, parada total, lançar ãncoras virtuais !
-Sim, Capitã !
-Bom, Rita já estamos paradas!
-Obrigada , Capitã, vou lá fora então fazer o serviço !
-Pode ir, ‘a vontade !
Rita saiu da Ponte, pegou o elevador, e desceu até o deck seis, onde ficava  a escotilha de atracação da nave.Ao lado da escotilha, tinha uma saleta, com trajes astronáuticos.
Ela vestiu o traje primeiro, depois o capacete, e então fechou a porta da saleta da escotilha , porta esta que dava para o corredor. Assim, quando a escotilha se abrisse, o éter do espaço não invadiria a nave, não deixando escapar muito oxigênio precioso.

(Por Continuar)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Episódio 21- Sensibilidade de Viver:Gestação






Só então se tocou: a hora do jantar também não tardaria, mas ela nem sequer cozinhara nada ainda, não tinha o hábito de se preocupar com o jantar, pois enquanto morava na casa dos pais, era sua mãe quem cozinhava, e na hospedaria em Sakura City, era a dona, e ela ia sempre ao refeitório tomar café da manhã, almoçar, jantar, mas agora ela estava casada e moravam só ela e Takeo. Mas ela não estava com cabeça para cozinhar nada agora, então resolveu pedir uma pizza.
Ela então foi ao escritório e sentou-se na frente da sua escrivaninha, na cadeira giratória, e olhou na estante  e retirou um livro de Spinoza, sentou-se na poltrona estilo capitonné de couro legítimo de seu escritório, ligou o abajur de pé e começou a ler, até a pizza ou seu marido chegarem.
Uma frase que lhe chamou a atenção, e que a fez parar de ler e ficar pensativa foi:
“Percebi que as coisas que eu temia e receava só continham algo de bom ou de mau na medida em que o ânimo se deixava afetar por elas”

Isto a entreteve um bocado, sentada na poltrona giratória de espaldar alto. Ela ficou pensando se tudo o que se passara na vida dela, não teria passado por ter deixado tudo isto afetar o ãnimo e o humor dela. E se seria humanamente possível não se deixar afetar, afinal, ela agora estava bem adulta, com mais de vinte anos de idade, e supunha-se que já estivesse bastante madura. Refletia se a Maturidade não seria algo relativo, e se não seria algo inalcançável, posto que inifinto, talvez ninguém ficasse 100% maduro, mesmo que vivessem cem anos...
Mas tais reflexões em que se encontrava mergulhada foram interrompidas por um grito:
-Luninhaaaa, meu amor, cheguei !
Algo irritada, Lune teve de sair de suas elucubrações e respondeu, fechando o livro com certa violência:
-Luninha parece nome de cachorro !
-Então vou ser o seu !Au !Au !
-Bobo...Ah !A Pizza, eu tinha pedido, e estava lendo aqui, tão entretida, nem prestei atenção no interfone !
-Você é uma garota de sorte ! Eu vi o entregador na entrada do prédio, e tive o pressentimento de que era para a gente, aí coloquei o carro na garagem, subi ao térreo, fui no portão e perguntou e ele me deu o endereço do nosso apartamento. Paguei a ele e trouxe a pizza comigo !
-Que bom, querido, fico feliz, ainda bem !Senão, não teríamos jantar hoje !
-Bom, então o que estamos esperando,meu bem?Vamos jantar !
Não demorou e os dois estavam jantando.
Depois, ambos ficaram , cada um no seu computador e foram dormir.
No dia seguinte, durante o café da manhã, porém, o telefone tocou, Lune atendeu:
-Alô, senhorita Lune Tamasuki?
-Sim, sou eu mesma !Pode falar !
-Sua aplicação foi aprovada, você está admitida em nossa Universidade !Parabéns !
Lune vibrou com a notícia, dando pulinhos de alegria !
-Muito obrigada, muito obrigada, que bom, que bom, estou muito feliz !
-Compareça aqui na Reitoria as dez horas da manhã e  traga seus documentos, para assinar o contrato de trabalho. Amanhã começará aqui, então terá de chegar todos os dias, de segunda a sábado, das oito da manhã ‘as cinco da tarde !
-Sim, senhora, estarei ai sem falta, e trabalharei com muito afinco e entusiasmo !
-Muito bom, a Universidade Kansai agradece !Até breve !
-Até breve !
E a ligação terminou.
-Aaaaaiiii, meu anjo, eu fui aprovada !Agora já sou Professora !Começo amanhã, mas hoje tenho de providenciar a papelada !
-Parabéns, querida, você merece !
-Olha, vamos ter de passar a tomar café da manhã mais cedo, pois tenho de estar lá as oito toda a manhã, então preciso estar sainda daqui no mínimo as sete , imagine a hora de acordar, me arrumar, tomar café e ir...
-Providenciarei tudo para facilitar ao máximo tudo para você, meu bem!
-Ah, Takeo-kun, você é tãaao...bonzinho... merece um beijo !
E Lune se sentou de lado no colo do marido e beijou-lhe a boca com os lábios repletos de geléia de morango , sujando o rosto dele todo.
-Huum, que beijo doce !
-Ahn, uh, sujei seu rosto inteiro ! Vou limpar isto aí...
E Lune começou a lamber em volta dos lábios dele.
-Ai, amor, assim não resisto, deste jeito ficarei excitado...
-Tudo bem, fique com o guardanapos então !Ahn?Nove horas !Preciso me arrumar e ir correndo !
-Eu também estou na hora de ir!Até mais tarde, amor !
Lune saiu correndo, para tomar uma ducha rápida, se arrumar e vestir e foi correndo para a garagem,  de onde saiu apressada em direção da Universidade.
Já Takeo, foi para seu trabalho, como sempre.

Agora a vida dos dois seria assim, com ambos trabalhando e passando a maior parte do dia sozinhos, um estilo de vida a que teriam de se acostumar.
Mas os conflitos e desentendimentos oriundos da rotina não demorariam a assombrar a vida do casal.
Mas primeiro, viriam as questões de trabalho que, ao contrário do que Lune pensava, não seriam fáceis...
Ela chegou na Universidade e preparou a documentação, preencheu formulários e assinou documentos. Depois, viria a parte prática.
-Olá, Senhorita Lune, eu sou a Diretora do Departamento de História, Mikasa Sagashita e serei sua Chefe direta. Fui encarregada pelo departamento de pessoal a lhe mostrar a Universidade, mostrar a sala de aulas onde irá lecionar, a sala da Coordenadoria, a sala dos Professores, o refeitório, a sala da secretaria.Por favor me acompanhe !
-Sim, Mikasa-sempai, muito obrigada !
Assim, a Diretora do Departamento foi mostrando tudo a ela, e depois, já na sala da secretaria:
-Bom, aqui estão suas apostilas, sua caderneta, seu diário de classe, e o material didático, etc. Sua classe vai ser a 1-C, ou seja, o Primeiro Ano Turma C, e sua matéria vai ser História Mundial.Venha comigo, vou apresenta-la para seus novos alunos.
Logo chegavam na classe:
A Diretora entreabriu a porta e fez um sinal para a professora, que interrompeu a aula.
-Olá jovens estudantes, eu lhes apresento a sua nova Professora de História Mundial, a Senhorita Lune Tamasuki !
-Seja bem vinda, Tamasuki-sensei !
Disseram os alunos e as alunas, levantando-se de suas carteiras e a cumprimentando com o gesto tradicional japonês, e Lune respondeu da mesma maneira .
-Muito obrigada a todos e todas vocês !Estou confiante de que vamos nos dar muito bem !
No entanto, olhos brilharam no fundo da classe. Aquele rapaz estava absolutamente magnetizado desde o primeiro olhar para Lune, e nem o brilho da aliança dourada no dedo dela o desanimou-estava apaixonado !

(Por Continuar)

Episódio 283-Admirer Voyages !




-Stephanie, chama a Capitã Valéria para mim, por favor !
-Sim, Capitã, frequência aberta, na tela!
-Oi, Dina, e aí?
-Então, Val, olha, eu tenho um plano: vamos fazer o seguinte: eu vou pela frente, direto em frente e você faz uma curva mais aberta, dá a volta por trás danave pirata, e enquanto eu ataco pela frente, você ataca por trás ! Que tal?
-Combinado !Ela terá de lutar em duas frentes ao mesmo tempo !
-Maravilha, Dina desligando !
De volta na Exploiter:
-Thaís, Priscilla, alarguem a curva para que fiquemos a trinta mil anos luz de distância da posição da nave pirata lateralmente, ultrapassem-na, passem por trás dela, e aí curva fechada para a esquerda para ficarmos para a frente do traseiro imundo daquela pirata e ai , parada total, para a tirarmos !Acelerem para ZARP 60.000 !
-Sim, senhora, Capitã !Dados implementados !Engatando !
A Exploiter alargou a curva , alongando-a suavemente e disparou, muito mais veloz que a Admirer, indo paralela a ela, mas muito mais distante.
-Giselle, prepare todos os torpedos Existus e todos os lasers, para disparar ao meu comando, travando na nave pirata!
-Só vou poder travá-los quando  a nave inimiga aparecer de novo, Capitã, ela sumiu dos sensores outra vez!
-É verdade, Giselle, não estamos lidando com uma inimiga comum, ela pode não estar mais na mesma posição!
-Sim, Capitã, mas talvez ainda possa, ela pode estar achando que fugimos!
-É, Ceci, só que não dá para nos fiarmos nisto. Mesmo que ela pense que fugimos, ela pode ter ido para qualquer lado...por enquantovamos tomar como base a última posição dela, mas quando ela atirar, ela se revelará ! Anne Paula,algum sinal da nave inimiga?
-Ainda não, Capitã, impossível saber onde ela está !
Já na nave pirata:
-Capitã, elas fugiram de nossos torpedos PEM !
-Não conte com isto, Imediata Janice, tenho certeza que vão voltar, só fugiram dos torpedos, mas não devem ter desistido da luta assim.Mas aqui em campo aberto, somos alvos fáceis. E temos poucos torpedos PEM, não podemos desperdiça-los, temos de armar uma emboscada, e pegá-las de surpresa, nave por nave ! Katrina, há algum lugar para nos esconder nas imediações?
-Sim, Capitã, há a Nebulosa Dendara -2,  há dois anos luz daqui, ‘a nossa direita ; uma nuvem de gás ionizado e cheio de asteroides , foi o resultado do colapso de uma estrela, que explodiu. Os gases ali são muito reativos e vivem a provocar descargas e raios elétricos de alta frequência !
-Excelente, isto vai limitar muito a eficiência dos sensores deles!
-Mas os nossos também, Capitã!
-Eu sei, Katrina, mas nós podemos nos camuflar,elas não, então nós teremos vantagem sobre elas, pois se elas rastreavam as origens dos tiros para nos acertar, agora será muito mais difícil !Runa, Babette, marquem curso para a nuvem Dendara-2, velocidade, ZARP 2 !
-Por que tão devagar, Capitã?
-Por que não queremos chamar a atenção, Janice !Queremos pegar elas de surpresa, e não deixar rastro! Katrina, qual a extensão da nuvem?
-Cento e dez mil quilômetros de comprimento máximo, por sessenta mil quilômetros de altura máxima, por quarenta mil quilômetros de altura máxima !
-Excelente, não será fácil nos acharem !
De volta agora na Admirer;
-Estamos chegando na região onde foi a batalha, mas nem sinal da nave pirata ainda !
-Pois é, Wendy, isto que me deixa preocupada...piratas são traiçoeiras, mas excelentes estrategistas, elas devem estar querendo nos armar alguma cilada, tentamos pegá-las de surpresa, mas não foi desta vez...
-Não acredito que iriam ficar paradas no mesmo lugar, Capitã !Elas devem ter procurado algum lugar para se esconder !
-Será mesmo? E se estiverem camufladas aqui, Amber?
-Aí já teriam atirado em nós. Mas, então, por que não faz um teste, Capitã?
-Teste?
-Frida!Atire um laser direto em frente, arme e já atire !
-Sim, senhora imediata !
-Fogo !
A Admirer disparou um laser no vazio.
-Está vendo?Ninguém respondeu? Se elas estivessem aqui, teriam respondido, reagido com suas armas!
-É, tem razão, Amber, mas isto torna o jogo de predador e presa ainda mais perigoso...
-Capitã, a Exploiter acabou de chegar !
-Sim, Wendy, estou vendo na tela , ela bem de frente para nós!Abra um canal com a Capitã Valéria!
-Canal aberto, Capitã !
-Val?
-Oi,Dina !
-Você viu? Não estão mais aqui !


(Por Continuar)

domingo, 10 de junho de 2018

Episódio 20- Sensibilidade de Viver:Gestação


-Ai, que vergonha, Lune-saaaan !
O sistema de autofalantes anunciou o desembarque do voo de Otaru.
-Ele está chegando. Lune fique atrás de nós!Maki-san, fique preparada!
-Sim, Akane-san!
Disseram as duas.
Dali a pouco a comitiva desembarcava. Seis homens de terno preto e óculos escuros, dois levando as malas, o restante escoltando Otaru. Eles pararam em frente ‘as policiais.
-Otaru Tamasuki, você está preso em nome da Lei, pelos crimes de pedofilia, estupro , assassinato e prostituição infantil !
O irmão de Lune ficou de cabeça baixa  e olhos baixos, em silêncio, enquanto Maki o algemava.
-Não tente nenhuma gracinha! Não somos as únicas policiais aqui, há uma dezena de outros cercando-o  mais distanciadamente.
Disse Akane, com firmeza.
Só então Otaru olhou para Lune. Um olhar frio, feroz, lúgubre, soturno,assustador!
Lune baixou os olhos imediatamente, assustada com aquele olhar terrível.
-Nem pense em ameaçar a Lune-san, rapaz ! Vamos indo !
Disse Maki, deixando sua pose alegre para uma expressão severa.
As duas o conduziram aos demais policiais, que o colocaram em uma viatura policial fora das dependências do saguão do Aeroporto.
--Nossa missão está cumprida, senhorita, vamos embora !
Disseram os seguranças e saíram logo dali.
-Também temos de ir agora, Lune-san, mas em breve nos reencontraremos, qualquer dia irei visita-la ! Ah, e parabéns pela sua gravidez !
-Obrigada, Maki-chan !
-Tchaaooo !Fui !
E lá se foram as duas.
Lune não quis acompanhar os procedimentos policiais e pegou seu carro, pagou o estacionamento e voltou para casa.
Assim que chegou em seu apartamento, Lune resolveu abrir o vitrô da sala e se sentou  numa das cadeira da sacada, onde, do sexto andar, onde morava, observava o trânsito na rua e o horizonte urbano imenso, aquele mar de prédios, após pegar um refrigerante na geladeira e se servir em um copo e colocar alguns cubos de gelo.
Havia um certo alívio, tanto em seu semblante como em sua mente, pela prisão do irmão, que, agora não seria mais condenado a morte, apesar de saber que, devido ‘a gravidade dos atos dele, provavelmente pegaria prisão perpétua.
O alívio era  também o de não mais ter de se ver frente a frente com um irmão que poderia abusar sexualmente dela ou mesmo violenta-la. Preferia manter na memória apenas a imagem cândida do irmão quando criança, do qual cuidara e que a respeitava. Eram estas as lembranças do irmão , que queria conservar e fixar na sua memória.
Mas se preocupava com o estado emocional de Momiji, sabendo que Otaru agora estava atrás das grades e não voltaria mais.Foi quando resolveu ligar na casa dos pais.
-Oi, filha, boa tarde !
-Boa tarde pai! O Onii-san já está detido e o processo dele já começou...
-Sim, estamos sabendo já, o Hayao-sama já nos avisou!
-E como vocês estão se sentindo?
-Muito tristes, filha. Sua mãe, depois que soube, vestiu luto e fica rezando para Buda em meio ‘as lágrimas.Para ela, como para mim também, e como se o Otaru-san tivesse falecido..bom, de certa forma, aquela imagem de filho que tínhamos dele, faleceu mesmo...
-Puxa, pai...fico triste em saber, será que ela vai aguentar?
-É uma dor para a vida inteira, sentimento de culpa, é muito pesado isto, não só para ela, mas para mim,que já estou velho, também.
-Melhor eu ir aí dar uma força para vocês?
-Não, filha, acho melhor não, o trauma ainda está muito forte, mas vai passar, a gente aos poucos vai se anestesiando, não/A vida não pode parar...deixa a poeira baixar, e a gente melhorar, aí você vem, ok?
-Ok, pai, fico feliz de o senhor pensar assim.
-Assim que estivermos mais inteiros, a gente te liga e te convida para cá!
-Ah, ok !Ah, mas se o senhor está em casa, e o Takeo-kun?
-Ele está no trabalho, mesmo sem mim. Eu não sou o único que trabalha lá, e estou colocando ele como meu braço direito, o segundo em comando, liderando a equipe enquanto eu estou fora!
-Que bom !
-Até mais então, filha !
-Até, pai...
E a ligação terminou.
Lune então resolveu tomar um banho, e estava tão distraída que foi tirando as roupas e as jogando no chão, deixando uma trilha de roupas atrás de si, no caminho até o banheiro do quarto.
Já nua, ela de repente teve um pressentimento, e voltou para a  sala:
Foi no momento exato em que viu sua calcinha levantar voo com o vento que entrava pelo vitrô aberto e voar pela cidade afora.
-Nãaao !
Ela gritou e tentou correr pelada até a sacada e parou no parapeito. Mas tarde demais: a calcinha já estava fora de alcance!
Só então percebeu que  estava nua, e que seus seios arfavam e balançavam com sua respiração ofegante.
-Mas que droga !
Ela gritou .
Quando levantou os olhos, percebeu que havia um homem olhando da janela do prédio em frente ao dela, de binóculos. Um voyeur !
-Aaaaai não !
Lune gritou, vermelha de vergonha da cabeça aos pés, correndo para dentro, fechando o vitrô e as cortinas, e tratou de tomar seu banho, ainda envergonhada. Dizia para si mesma:
-Ele me viu !Droga, ele me viu !Queria tanto apagar estas imagens da memória dele !Sujeito tarado, indecente, desalmado, se eu ver ele na rua, baterei nele sem dó nem piedade !Mas...não, não contarei ao Takeo-kun, ele ficaria com ciúmes, eu sei, era só para ele e mais ninguém me ver nua, só ele...se bem que nem foi culpa minha, mas...ai, não, que vergonha!E se algum homem tiver pegado minha calcinha e a ficar cheirando...e se ele souber onde moro e vier me entregar?Minha intimidade...exposta deste jeito..quantos viram?Não posso ser tão descuidada, a culpa é minha, devia ter me trocado no quarto !Mas como eu podia saber que haveria um pervertido vasculhando a vizinhança?
Dúvidas, dúvidas, dúvidas, eram o que permeavam a mente de Lune durante o banho!
Tão envergonhada ficou, que vestiu uma camisa preta de manga comprida, sem decote algum, e uma saia comprida, que ia quase até os calcanhares, sapato fechado, com meias grossas, e colocou um lenço no pescoço cobrindo o busto, e depois tratou de recolher as roupas do chão correndo, pois não demoraria muito a Takeo chegar.

(Por Continuar)