quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Episódio 16 (Minissérie)- Eternidade


Episodio 16: Paternidade


Mais um dia amanhecia no campo de batalha.Tarkis, o velho soldado que adotara a filha do gigante, agora já´era, depois de passados vários anos,General, premiado que foi por décadas de fidelidade ao velho Império.
Em meio aos campos desolados banhados de sangue, o vento enregelado levava o cheiro da morte para o acampamento militar gigantesco.
Nimitris agora já era moça feita, aprendera as artes da espada e das armas com seu pai adotivo, já que desde muito cedo ela revelou um talento incrível para a luta.Era muito temida pelos soldados,que conheciam bem seu temperamento agressivo e forte,e suas explosões de fúria repentinas.Crescera forte, mais alta que o pai, provida de corpo forte e longílineo, musculoso, mas bem definido, com seios fartos  e quadris atraentes.
Seus belos cabelos negros, muito longos, esvoaçavam ao vento, e seus olhos de um azul muito intenso brilhavam ao sol da manha.
Foi quando um soldado a chamou, dizendo que seu velho pai procurava por ela.Ela foi correndo ate´ele.
-Minha filha, vem cá, chegue mais perto...
-Sim, Pai, pode falar.
-Você sabe bem que eu a adotei quando você era bebê, e seu pai foi um homem admirável, que lutou bravamente por seus ideais, não é, filha?
-Você já me contou esta estória tantas vezes, não agüento mais ouvir!
-Pois não precisará mais ouvi-la, filha, estou indo embora...
-Como esta indo embora? Que historia é esta?Indo embora para onde?
-Para o campo de batalha celeste, minha filha, encontrar seu pai, seu verdadeiro pai, e sua mãe também...
As lágrimas brotaram do rosto de Nimitris, que tentava esconde-las a todo custo.
-Nem me fale uma coisa destas...por favor...
-Você notou que ontem, no final da batalha, eu não fui dar-lhe um beijo de boa noite em sua testa, como sempre faço?Você não me viu, depois que vencemos a batalha contra os Revoltosos.
-É verdade, agora que você tocou no assunto, realmente...
-É porque ontem eu recebi um golpe de espada terrível, querida.Passei a noite com febre, e ainda sangro, não irei viver muito, os médicos já perderam as esperanças...
-Oh, não, pelo Imperador! Você tem que viver! Quem foi o desgraçado, eu mato ele!Vou ligar no comunicador e pedir uma nave para leva-lo para o Hospital Militar de Subúbia!
-Você é mesmo filha do seu pai, ele teria realmente muito orgulho de você, como eu mesmo tenho! E de pensar que você poderia ter morrido naquele dia...
-Você precisa de assistência, pai, aqui ninguém pode fazer nada!
-Esqueça, filha, deixe seu velho pai adotivo ter o pouco que sobrou de sua dignidade.É motivo de orgulho para um soldado morrer no campo de batalha.Depois, não daria tempo, os médicos já me disseram que não tenho mais de meio dia de vida.Quero lhe pedir algo muito especial, querida, um último desejo, que eu quero que você cumpra, uma ordem expressa ‘a qual você jamais poderá desobedecer!
Nimitris agora fazia um esforço hercúleo para tentar conter o choro, e pegou na mão dele.
-Você já ficou conhecida como a filha do fogo, já cobriu-se de glorias no campo de batalha, é a melhor soldado que o Império já teve,mas agora, querida, o Imperador está absolutamente insano em toda a sua crueldade, e não quero mais que ele vença os Revoltosos, pois hoje, depois de tamanho massacre, vejo que os Revoltosos tem razão em sua luta.Seu pai verdadeiro era um revoltoso, e você deve honrá-lo. Quero que me prometa que irá desertar e se tornar uma revoltosa. Ensine a eles como nosso exército funciona, você sabe bem que não somos perfeitos, e onde estão nossas imperfeições.Destrua e derrote o Império, filha, vá e vença, você é capaz!
O espanto estava estampado no rosto dela. Ele estava pedindo para trair tudo em que ela acreditava.
-Pai, se eu derrotar o Império, estarei derrotando a você, e 'a sua memória...derrotando a tudo em que o senhor me fez acreditar todos estes anos...
-Não, minha filha. Quando a adotei, eu estava, através do meu gesto, aceitando minha própria derrota e  de meus próprios princípios.Naquele dia, o qual nunca mais esqueci, foi que eu realmente aprendi o que é ser pai.A Paternidade é algo sagrado, querida, e muito precioso, que envolve muitos sentimentos.E ao ver a luta desesperada daquele pai por uma filha que ainda nem tinha nascido,eu pude entender a profundidade do sentimento de ser pai, e quis tê-lo também.Minha ultima lição para você, querida, vai ser te ensinar o que e´ser um Pai.Um dia você será mãe, e terá um marido, que será pai,e para poder entende-lo, você precisara entender o que significara para ele ser um pai.Pois ser mãe e´algo mais intimo, seu filho se desenvolvera  e crescera em seu ventre,e bebera do seu leite, e´um contato muito mais intimo, que só as mães tem, e  por esta mesma privação de ligação de laços tão íntimos como novo ser que esta nascendo, o Pai precisa desenvolver um outro tipo diferente de laço para com seu filho,pois ambos estão interligados só pelos sentimentos do coração.Não é só questão do sustento e da educação.Não. Ele precisa sentir que o filho também veio dele, e´sua descendência, sua continuidade, sua eternização.Três palavras: Consciência, Responsabilidade,Orgulho.Quando vem a notícia de que o filho já esta sendo gerado, O Pai sente a Responsabilidade.Quando o filho nasce, a consciência de que uma nova vida que ele ajudou  a criar, é real,faz nascer nele a consciência não apenas da responsabilidade envolvida, mas a consciência de sua própria sucessão, de sua própria eternização, perpetuação, aliviando seu sofrimento em saber que ele não é eterno e um dia se esvaíra,e seu ego inflado pela prova publica de sua masculinidade, e pelo seu próprio feito, de ter conseguido participar e ajudar a gerar uma nova vida,fará nascer nele um Orgulho profundo, que o engrandecera como pessoa humana.E este orgulho gerara um tipo muito especial de amor, o orgulho de ver aquele ser tão pequenino crescer e se desenvolver, e de ver nele algumas características dele, em que ele se sentira espelhado no filho. E´como se a gente pudesse ver a si mesmo quando criança e voltar no tempo, para tentar corrigir os erros do nosso próprio passado.
O Poder envolvido em se ser pai e´muito grande, e a consciência deste poder, como de todo poder, pode corromper e levar a alguns abusos.Mas todas as pessoas tem suas próprias fraquezas e sua própria historia, como suas próprias qualidades, e só consegue agir dentro de suas próprias limitações.
E´nestas horas que o filho ensina ao Pai, pois o filho sempre tornara o pai consciente de suas limitações.Esta consciência e´terrível, pois  a vontade de acertar, a ansiosidade da responsabilidade que vem com a autoridade,oprimem a razão paterna, e o sentimento de frustração que vem da
Impotência diante dos fatos e da realidade muitas vezes que lhe cerca, o medo de errar,tudo isto revela ao pai a dor de viver, e o peso dos desígnios da paternidade,uma tortura tonitruante que o pai carregara Por muito e muito tempo.Mas e´justamente esta dor, este sofrimento, estas duvidas, estes medos, esta frustração,esta ansiosidade,que reforçam e dignificam os laços entre pai e filho, pois quando o pai vê o filho crescido,forte, preparado e enfrentando bravamente a vida,e´o orgulho que renasce mais forte ainda, e a lembrança de tudo pelo que ele passou, de todos estes sentimentos que o torturaram tanto,a consciência de que apesar de todos os erros, as limitações e defeitos, ele conseguiu, conseguiu finalmente preparar o filho para vida, cumpriu seu papel,sua responsabilidade,traz ainda mais orgulho, não so´de si mesmo, como do filho, e´a hora  sagrada em que o pai sente uma vontade grandiosa de ser o filho, de se ver nele,em que sente a gratidão que aquela criança que um dia ele foi lhe tem agora , por sentir que corrigiu os erros do seu próprio passado, e se redimiu perante si mesmo, e a alegria então e´incontida e irrefreável.
Acima de tudo, filha, o Orgulho e´o que alimenta de amor o relacionamento da Paternidade.E´uma eterna superação, e os filhos sempre devem superar os pais.Pois  e´na superação de seus feitos por seus filhos que o pai se sente vencedor.E posso agora ir embora feliz, querida filha, pois eu não poderia estar mais orgulhoso de você, nem eu, nem seu verdadeiro pai....

(Por Continuar)

sábado, 7 de dezembro de 2019

Episódio 24- Sensibilidade de Viver:Adendos Finais




-Vocês jovens hoje em dia são muito mimados e preguiçosos, a tecnologia os deixou moles...
-Ah, vovó, vai...
E seguiram conversando enquanto voltavam para a casa de Lune.
Mais uma vez, trânsito intenso, mas desta vez Lue tinha com quem conversar para se distrair e o tempo passar mais rápido.
E Rina prestava concentrada atenção na conversa de sua mãe com a sua bisavó.
Por fim, chegaram e o portão da garagem se abriu.
Ao adentrarem a cozinha, foram recebidas por Ruri e Rena.
-Oi, vovó !Estava de saída para o trabalho, mas resolvi esperar para ver a senhora !
-Ruri-chan, minha netinha, quanto tempo ! E esta daqui?
-É minha filha, Rena-chan !
-Ohohoho, da última vez que a vi, ela era uma bebê recém nascida !
Foi quando Takeo apareceu.
-Asuka- sempai, sejas bem vinda !
-Oh, Takeo-san, como vai, menino?
Ele ficou constrangido, mas relevou:
-Eu vou bem, senhora Asuka !
-Está cuidando bem da minha menina?
-Vovó, nem eu, nem ele somos crianças !Ele não tem que cuidar de mim, nem eu dele...
-Ninguém perguntou sua opinião, Lune-san !
Foi a resposta seca e dura de Asuka.
Takeo, como sempre, procurou quebrar o clima:
-Gente, olha, o almoço está pronto, chegaram bem a tempo!Vamos todos almoçar?
-Foi você que cozinho, Takeo-san?Ou é kombini?Ou é comida encomendada de algum restaurante?
-Tenho o maior orgulho de dizer que fui eu que fiz !
-Ahaaaam !
Pigarreou Ruri, olhando feio para ele.
-Com a ajuda da Ruri-san, claro! Arroz com Curry  e Tekyaki !Venham, vamos sentar e nos servir, por favor !
Todos foram na grande mesa da sala de jantar, em frente ‘a porta da copa e cozinha e também da escada.
Lune, como boa anfitriã, serviu a todos, com delicadeza e sorrisos.
Enquanto comiam, começavam a conversar, e Ruri contou de seu namorado, seu emprego e que estava para se mudar dali para ir morar com Dieter.
-Huuum, alemães foram nossos aliados na Segunda Guerra Mundial, se bem que não fizeram grande coisa por nós, acho que no fundo, nos odiavam...
-E nós a eles na época, vovó...
-E, Lune-san, a guerra é assim, tem destas coisas...
-Ah, mas os alemães de hoje não tem nada a ver com os daquela época...
-Tem certeza que seu namorado não é nazista, Ruri-chan?
-Vovó, claro que não ! Ele me disse inclusive que ele faz parte de um movimento socialista na terra dele!
Lune procurou socorrer a irmã:
-Vovó, se ele fosse nazista, ele não iria namorar uma japonesa. Iria procurar uma ariana loira de olhos azuis para namorar !
-É verdade, Lune-san, mas vejo que continuas a tomar o partido de sua irmã com unhas e dentes !
-Não somos só irmãs, mas grandes amigas também, não, onee-san?
Disse Ruri.
-Claro, desde sempre, nos ajudamos mutuamente !
-É, estou vendo o complôzinho de vocês duas contra mim !
Exclamou Asuka, com ironia.

(Por Continuar)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Episódio 62- Admirer Voyages:Peregrine !



 -Deixa comigo, Capitã !
-Mas você não é engenheira, Christine...
-Não, mas mesmo assim, tenho um certo conhecimento de informática ! Eles usam teclados físicos de membrana ainda.
-Verdade, mas você consegue decifrar killerês?
-É, esta é a parte difícil, a língua que falam na Sinístria parece uma mistura tosca de alemão com russo!
-Nem parece que eles são do mesmo planeta que a gente...
-É uma ditadura fascista, Capitã, não é a toa que já causaram tantas guerras...
-Verdade! E aí, progressos?
-Nada ainda, está difícil decifrar...
-Melhor chamar a Rita aqui então, ela está com o sensor de mão que tem tradutor simultâneo embutido!
-Por favor, senhora, deixe-me tentar mais um pouco...
Enquanto isto, na Engenharia:
Rita estava embasbacada com o que via !
Dezenas de corpos no chão, todos humanos e com os uniformes pretos com detalhes vermelhos da Sinístria, e a efígie da caveira dourada na altura do peito, típica dos killeristas.
As máquinas estavam em frangalhos e realmente pareciam ter explodido de dentro para fora. Mas não havia sequer traços de queimado nos destroços.
Rita colocou o seu sensor de mão para funcionar e fez um escaneamento, e a leitura logo revelou seus resultados:
-As moléculas dos materiais sofreram uma expansão explosiva e depois voltaram muito rapidamente ao tamanho normal. Mas o quê teria causado isto?
Rita resolveu então investigar nos computadores da Engenharia.
Porém, a maioria deles estava destruída.
Então ela se voltou para a antecâmara da entrada da Engenharia e descobriu um console intacto.
Com a ajuda do tradutor instantâneo acoplado no sensor de mão, foi decifrando os comandos. Depois de procurar por um labirinto de rotinas , sub rotinas, menus dentro de menus e sub menus dentro destes, encontrou os arquivos do Diário do Engenheiro Chefe.
Os primeiros registros que encontrou foram os normais da rotina de uma engenharia de nave estelar.
Quando chegou aos registros mais recentes, subitamente, os arquivos se corromperam sozinhos e começaram a se alastrar por todo o conteúdo do  terminal !
Era Como se alguma coisa quisesse impedir que ela visse os arquivos. Rita imediatamente desconfiou de um vírus e tentou intervir usando seu sensor de mão.
Para sua surpresa, no entanto, ao fazer a conexão remota, seu sensor de mão foi contaminado e todos os seus arquivos foram destruídos, apagados!
Ele começou a esquentar  e ela teve de larga-lo, pois parecia feito de lava, e ele se derreteu no chão !
-Mas que troço mais esquisito ! O que foi isto?Será que este vírus causou esta destruição?
Rita se perguntou.
Enquanto isto, Kátia chegava na Enfermaria, que era pequena, mal equipada e apertada.
-Como é escuro aqui !
Ela pensou em voz alta.
E logo depois veio seu grito !
Havia pilhas de mortos por todo lado, todos muito inchados. Um inchaço que não era o normal de um processo de putrefação, era algo muito mais misterioso !
Ela colocou então seu sensor médico em ação para tentar descobrir o que afinal acontecera com toda aquela gente .

(Por Continuar)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Episódio 15- (Minissérie)- Eternidade


Episodio 15 :  Presunção



Céu cinzento , carregado, vento frio, cortante, atmosfera ferina e pesada. Vou andando pelas ruas, as pessoas são só vultos, sombras que vem e que passam.
Aqui não há folhas para cair, só o cinzento dos prédios e o escuro do concreto discreto e sem vida. Passo pelas ruas, aguardo parada nos sinais, aqui só existem sombras, não reflexos, refletindo tristes complexos , pensamentos convexos, sem nexo. Não existem semblantes nos rostos errantes, faces que nada me dizem, indiferença que perpetua em moto continuo a impessoalidade da cidade. As conversas na multidão misturam-se em uma turba  ciclônica de ruídos distorcidos sem sentido, para sim soam como simples ruídos, poluição sonora.
Ar carregado, pessoas anônimas como gado, anômalas nas tentativas desesperadas de afirmação  de sua normalidade, sociedade de imposição.
Poses em cartazes qual sereias em gritos de convicção, sociedade em convulsão.
Pedintes famintos, miseráveis aprofundando-se no gargalo cíclico e ciclônico do crime que jaz avantajado como câncer na sociedade,irônico em contraste com a falsa imagem de riqueza das propagandas coloridas de neon, sociedade em convulsão, agora regurgitando a miséria  pelas vias marginais da cidade, margeando a incompreensão e impiedade da sociedade.
Tudo isto vejo, assisto, contemplo e analiso. Já fui assim. Não sou mais.
Sou mais. Agora sou mais. Sou diferente para melhor. E daqui do alto do mais alto dos edificios, me sinto acima da sociedade. Meu nome é Uthuu . 

(Por Continuar )