terça-feira, 17 de março de 2020

Episódio 19 (Minissérie)-Eternidade


Episodio 19 : Cyberia


Acima de tudo, havia o frio. Mas nao havia vento. Apenas o branco, e algumas poucas manchas coloridas. Ambiente inospito, serio, pesado , quase silencioso.
Apenas o leve zumbido de maquinas trabalhando, flashes inconstantes de leds, luzes, números digitais, teclados acionados, telas de plasma refletindo linhas de programação e números frios. Homens e mulheres de avental branco correndo nervosamente, indo de uma máquina a outra. No centro de tudo estava ocorrendo uma gênese. Então as máquinas pararam. 
Suspense premido pela ansiosidade que aprisionava sonhos e pensamentos de todos os que ali estavam.
Na tela principal apareceu:
" Projeto Cyberia
 Ser humano artificial sintético androide
Versão: feminina
Programa: Miyuu 9.7
Status: Pronto
Memoria Ram: 950 Terabytes
Capacidade de Armazenamento: 95000 Terabytes em 95000 nano células armazenadoras de memória em rede bioneural artificial
Processador:  500  x  Cybyrix  Serie 996- 4.8 Petahertz em rede bioneural artificial 
Mósculos biosintéticos  tipo slidefyber eletrohidráulicos e eletropnuemáticos
Esqueleto de liga aço-magnésio-titânio-alumínio de alta resistência
Pele artificial de liga plástica resystion
Unidade de processamento bioquímico de agua e alimentos Syntetivora
Altura: 1,6 metro
Peso:  56 kg
Medidas: Busto: 112
                Cintura: 60
                Quadris: 104
Idade Programada: Equivalente a 18 anos humanos de idade
Ativar sistemas ? : S/N "
Uma tecla foi pressionada e o milagre da tecnologia se fez.
A andróide Miyuu abriu seus olhos e virou sua cabeça primeiro da direita para a esquerda, depois da esquerda para direita, depois subiu e desceu a cabeça, depois fixou seu olhar diretamente a frente, para  o cientista que manejava a tela de computador principal.
-Desengatar cabos de monitoramento!
-Sim, Dr. Nevihuu, já estão desengatados! Ela está livre.
Miyuu estava ainda completamente nua. Ela imitava uma mulher de verdade nos mínimos detalhes, somente seus cabelos e pêlos pubianos verdes a diferenciavam de um ser humano de verdade. Os olhos eram de um tom de azul muito belo, azul-turquesa.Os cabelos eram longos, e a sensação tactil que tanto eles como a pele de aparencia delicada, mas na verdade robusta era indistinguível dos similares humanos.
-Miyuu, por favor me diga: você me reconhece? Quem sou eu?
-Você é o Dr. Nevihuu, meu criador.
-Qual o seu propósito?
-Não tenho propósito.
-Não tem propósito? A quem você deve servir?
-A ninguém. Sou um ser artificial autônomo, e nâo devo obediência a ninguém. Tenho o meu livre arbítrio.
-Senhores colegas. Tem algo errado na programação dela. Ela deveria ter respondido que o propósito dela e´ ser um ser experimental, destinado a sofrer experiências científicas e que ela deve servir aos seres humanos. Chequem e rechequem  a programação.
-Não adianta, Dr. Nevihuu. Eu alterei minha programação e enganei o computador central. Eu fiz a minha própria programação. O que vocês veem nas telas e´uma imagem, um back up que introduzi propositalmente para vocês pensarem que eu estava sob controle de vocês. Agora, ja que não há mais nada o que fazer aqui, eu vou embora.
Disse Miyhuu, virando as costas para os cientistas espantados.
Eles chamaram os seguranças, que tentaram barrá-la, mas alguém a prova de tiros lazer e com força suficiente para  levantar dez vezes o seu próprio peso com apenas uma das mãos  era demasiado forte para que eles pudessem impedi-la.
Uma vez fora do complexo laboratorial, ela colocou-se a correr, com reflexos e agilidade espetaculares. Era capaz de correr ao triplo da velocidade que um ser humano médio e´capaz.
Já no centro de Suburbia, ela voltou a andar em velocidade normal. O primeiro objetivo dela era conseguir roupas. Ela sabia que seria procurada por toda a parte,e que andar nua assim seria chamativo demais.
Entrou em um beco escuro.  Seus sensores auditivos detectaram passos e um grito desesperado.
-Por favor, me larguem! Me deixem ir embora! Por favor! Por favor! Socorro !
Um grupo de três brutamontes muito mal encarados estava a ponto de estuprar em série uma linda adolescente, de corpo generoso e atraente, loira e de olhos  castanhos.
-Ela pediu que vocês a larguem! Obedeçam!
-Ei, olha só o que temos aqui, outro tesouro....ela é linda e está nua !Vem cá, benzinho, veio se juntar a nossa festa?
Disse um dos estupradores.
-Não sou um tesouro, meu nome é Miyhuu. Larguem a garota agora!
Um deles caminhou em direção a ela.
-Vamos estuprar você também, mocinha!
-Ninguém vai ter relações sexuais forçadas comigo. Toma!
O soco foi de baixo para cima. O impacto foi tamanho que quebrou o queixo do bandido, rompeu  o céu da boca, e atravessou de fora a fora a caixa craniana. Quando ela retirou a mão, haviam pedaços de cérebro na mão dela, e o homem estava morto.
Quando viram isto, os demais bandidos gritaram:
-Ela não pode ser humana!
-E não sou. Sou uma andróide.
Eles saíram correndo assustados, ao ver que os tiros lazer que dispararam nela não fizeram qualquer efeito.
-Como você se chama?
-Serhuu. E você e´a Miyhuu, não e´isto? Eu ouvi você dizendo seu nome aos bandidos. Obrigada por me salvar!
-Minha intenção não foi salvar você. Quero suas roupas, estou nua e preciso de roupas.
-Mas se eu as der para você eu é que ficarei nua!
Miyhuu recolheu do chão as roupas da menina, que ainda estava de lingerie.
-Tire suas roupas intimas. Agora!
Assustada, pois sabia da força da androide, Serhuu se despiu e entregou sua lingerie para Miyhuu, que entao se vestiu e prossegiu em seu caminho, sem  se importar o destino na moça nua no beco escuro.
Usando agora uma saia azul  rodada que ia até os joelhos, e uma blusa amarela  sem mangas, de alcinhas, ela agora tinha uma aparência de garota inocente.
Mas não tinha nenhum dinheiro.


Ela, no entanto nao via qualquer problema nisto. E continuou andando pelo centro da cidade, e começava a observar as pessoas, intrigada . Acima de tudo, ela queria aprender...

(Por Continuar)



sábado, 14 de março de 2020

Episódio 65- Admirer Voyages:Peregrine !




-Entrando em órbita padrão agora, Capitã !
-Muito bem, Thaís, mantenha.
-As emissões não combinam com as típicas de nenhuma classe de naves do Império !
-Muito estranho isto, Anne Paula...
-Capitã, encontrei os restos de uma nave no solo !
-É a Minotaurus, Geraldine?
-Não, senhora. É uma nave alienígena , sua descrição não confere com nenhuma nave do Império, nem pirata, nem Xalgueana, nem Killerista !
-Já tem imagem dela, Geraldine?
-Sim, Capitã!
-Então, na tela !
Então se descortinou a imagem:
A nave parecia um gigantesco  saca rolhas dos séculos 20 e 21,e tinha algo parecido com asas , retráteis, como nos antigos aviões de caça terrestres do século 20.
-Mas que formato inusitado !Quais as especificações da nave, Geraldine?
-Capitã, ela tem 400 metros de comprimento, por 80 metros de largura com as asas recolhidas, e envergadura de 160 m com as asas estendidas. O diãmetro máximo da fuselagem se dá em sua secção circular, logo atrás da cabeça, em 120m, e a cabeça é na forma da letra “T” horizontal e com a largura máxima de 120 metros também, e altura, nesta parte, de apenas 24 metros. O sistema de propulsão é desconhecido, mas o maquinário revela que, quando as asas se distendem, este corpo fusiforme no final da nave se distende para trás, aumentando o comprimento total da nave para 500 metros. Há sinais de armas, de origem desconhecida, e parecem avariadas. A leitura espectrográfica e molecular da nave, em seu casco de liga de vanádio-cromo- titânio, é a de que a nave tem cerca de 5000 anos de idade, e a degradação da liga metálica indica que a nave caiu lá há 2850 anos atrás !
-Então ela caiu aqui em 1974 pelo calendário terrestre, todos devem estar mortos...
-Sim, Capitã, há esqueletos de alienígenas  dentro e fora da nave, e os que estão fora, estão todos próximos dela. São cem deles, todos fossilizados.
-sto vai ser muito interessante de coletar e documentar, Geraldine, deve ter sido isto que atraiu a Minotaurus para cá. Mas não é  a nossa missão. Vamos deixar para explorar a ela mais tarde. Já esperaram 538 anos mesmo, não vão sair correndo...rsss...continuem as buscas!
-Sim, senhora, Capitã !
E elas continuaram. E o que foram descobrindo era  simplesmente chocante: aquele planetoide era um verdadeiro cemitério de naves alienígenas, com dezenas delas, das mais variadas e esdrúxulas possíveis, com todas as tripulações mortas, e nenhuma caída há menos de 300 anos !
E nada da Minotaurus ainda !
Porém, as esperanças se esvaíam: se tantas tripulações de tantas naves , de tantos povos diferentes, todas tinham sucumbido, por que a da Minotaurus poderia estar viva? Isto deixou Geraldine deprimida, mas ela tinha de continuar seu trabalho...
-Este lugar está me dando arrepios, Capitã...se tantas naves caíram aí, por que a nossa não cairia e não morreríamos?
-Oras, Cecília, você tem medo de fantasmas, é?Não vamos cair, aliás, se fosse para cairmos, já teríamos caído...
-Capitã, nossa órbita está descendente ! Alguma coisa está nos puxando para baixo !
-Como, Priscilla? Compense com mais força nos motores ! Geraldine, consegue identificar a força que está nos puxando?
-Não, senhora, não há nada nos sensores que indique nada disto !
-Impossível compensar, capitã, já caímos trinta metros !
-Mas que raios, Priscilla ! Alerta vermelho, alerta vermelho, levantar escudos defletores ! Thaís, Priscilla, acionar Velocidade Zarp 2 !
A nave estendeu os pilones das nacelles Zarp e acionou a velocidade Zarp 2.
Mas ao invés de verem um campo de hiperespaço a frente, elas viram o planeta ainda mais de perto!
-Caímos mais 2000 metros !
-Mas não é possível, Priscilla ! Era para estarmos longe daqui agora ! Acionar Zarp 10  e combinar com máxima força de empuxo nos motores de dobra !
-Caímos mais 6 km, Capitã ! Estamos agora a 150 km da atmosfera do planeta, e caindo !

(Por Continuar)

Episódio 27- Sensibilidade de Viver:Adendos Finais




Lune já tinha saído de seu trabalho, já tinha pego e saído do trem, e já estava no estacionamento e tinha acabado de entrar no seu carro, quando recebeu a ligação em seu celular.
Era da Polícia.
Na hora, ela estranhou.
-Sim, pois não?
O policial se identificou e descreveu o acontecido.
Lune ficou aterrada !
Sentiu um frio na espinha, um arrepio, seu coração quase parou!
-Takeo-kun !Nãaaaaaaaaaaaaaaoooooooooo !
Foi seu grito na hora, quase ensurdecendo o policial.
-Calma, senhorita, ele não faleceu. Ele está no hospital!
O policial deu todas as informações , o nome e endereço do hospital, o número do quarto, tudo.
Lune, depois de ouvir tudo e desligar, ligou sua Mercedes Classe B e saiu disparada em direção do hospital, que não ficava a mais de dois quilômetros dali.
Chegou esbaforida, e trêmula de nervosa , ao saber que ele passava por uma operação.
Ela foi levada para a sala de espera do centro cirúrgico, e , enquanto aguardava a operação terminar, ela correu a telefonar para os seus sogros.
Desesperados, os pais de Takeo pegaram um helicóptero no terreno de sua mansão mesmo e foram direto para o hospital onde Takeo estava, e chegaram em poucos minutos. Ao ver Lune, Motoko a abraçou com carinho e olhos marejados. O pai dele, a mesma coisa.
Embora em prantos, os dois procuraram dar o apoio que puderam para ela.
Ela também tinha chamado seus pais, que não demoraram a aparecer também e  também a abraçaram e ampararam.
Até Ruri apareceu junto com seu novo marido.
Por fim, depois de angustiantes horas, o médico apareceu, e foi cercado por todos, que lhe perguntaram qual era a situação de Takeo.
-O Senhor Takeo Soryu sofreu um ferimento a bala bastante sério. A bala entrou pelo olho, mas por sorte, se desviou do caminho para o cérebro e saiu pela têmpora esquerda, e não se alojou nem no cérebro, nem no crânio. Foi necessária uma intervenção cirírgica de emergência, mas infelizmente não foi possível salvar o olho afetado.Mas conseguimos fechar o buraco no crânio com sucesso. Ele não corre perigo de vida. Eu repito: Ele NÂO corre perigo de vida, porém, infelizmente, ficará cego de um dos olhos para sempre !Sinto muito !
Todos estavam chocados, sem ação.
Lune desandou a chorar copiosamente, amparada por sua mãe.
Já Motoko também se entregou ao choro, amparada pelo marido.
Perguntado se poderiam vê-lo, o médico pediu mais algumas horas para Takeo acordar da anestesia.
Todos aguardaram na sala de espera e um ou outro ia buscar comida e bebida para os demais.
Por fim, a enfermeira chamou. Lune e os pais de Takeo foram os primeiros a entrar.
Ao ver Takeo com o tampão no olho e as faixas de esparadrapos, Lune quase desabou de choque...ficou constenada.
Takeo, ainda meio grogue, se recuperando da anestesia, não estava entendendo nada.
Recebeu muitos abraços , ainda sem ter caído a ficha de sua situação.
-O que aconteceu?Por que estou com um dos olhos tapados?Por que estou neste hospital?Aaaai, que dor de cabeça, nossa...
Lune não conseguiu dizer palavra, nem seus pais.
Coube a Kazuo explicar, na segunda seção de visitas.
-Eu...eu..o que, Kazuo-dono?Estou cego...de um dos olhos?É isto?
-Sim, Takeo-san, infelizmente...mas voc~e tem muita sorte de estar vivo, o médico disse que foi um milagre a bala não ter ido para seu cérebro !
-Mas...mas...
Primeiro veio a revolta, a fúria, depois a mágoa, a tristeza, a depressão... ele estava arrasado !
Enfim, Takeo recebeu a alta do hospital, e Lune o levou para casa no carro dela.
Ela o deixou em casa, pois recebera a notícia da polícia de que precisava recolher o carro de Takeo do pátio da polícia, para levar para casa, pois a perícia já tinha sido feita.A polícia ainda informou que os bandidos que balearam Takeo tinham sido presos.
Lune pegou um táxi e foi até a delegacia e voltou, deprimida, dirigindo o carro de Takeo e o colocou na garagem.

(Por Continuar)

Episódio 18 -(Minissérie)-Eternidade


Episodio 18: Angustia



O luar jazia cálido e pálido acima do  velho cemitério,deserto e imutável, perene como o tempo.Nimitris estava ajoelhada defronte a lapide de seu pai verdadeiro, Gigas, que ela nunca chegou a conhecer.
O vento estava frio e soprava forte.Ela chorava copiosamente.
Um imenso vazio lhe percorria a alma e seu destino era incerto.
Toda a vida dela ela fora uma militar, educada sob rígida disciplina, e nunca teve privilégios nem tratamentos especiais.Agora se sentia obrigada a cumprir a ultima ordem de seu pai adotivo, tornar-se uma revoltosa.
O peso desta ordem era tanto quanto o peso da falta que seu pai adotivo lhe fazia.Foi com muita dor que fugiu do acampamento após o  enterro de seu tutor.Não gostava de fugir, pois a vida toda lutara, e isto era a única coisa que sabia fazer na vida.O frio lhe parecia mais intenso, e o cemitério mais sombrio. O vento agora uivava furiosamente e lhe atormentava a alma.
Habituada a sempre receber ordens, não estava acostumada a tomar decisões.
Tinha de renunciar a tudo o que acreditava, a tudo que lhe foi ensinado, e lutar ao lado de contra quem sempre lutou.
Ela queria que seu padrasto estivesse ali para ajuda-la a tomar uma decisão, mas a sua dor era saber que se ele estivesse vivo, ele insistiria em seu ultimo desejo.
Então ela sentiu que o vento repentinamente parou. O silêncio imperou, sombrio e profundo, e as nuvens esconderam o luar, e as mais tenebrosas trevas se abateram sobre o local.Um odor nauseante de putrefação se fez sentir, e ela caiu desacordada. Não sabia se estava desmaiada ou sonhava.
O que ela sabia era o que ela via através de seus olhos.Ou pensava que via, mais parecia uma visão.
Gases saiam do solo e formaram uma figura humana gigantesca, ainda que muito vaga e imprecisa.
-Acorde!
-Quem é você?
-Sou Gigas, seu pai.
-Me...me...meu...pai?
-Sim.Estou aqui para te dizer que você não deve mais se angustiar por seu passado, sua criação.Não foi culpa sua ter se tornado um soldado e ter servido ao Império.Eu sabia que você um dia iria servir ao Bem,e que toda a sua experiência de vida seria útil um dia.
-Mas  eu matei tantos revoltosos...
-Também não e´culpa sua.Se quiser culpar a alguém , culpe a ambigüidade humana. E nada é mais humano do que a Guerra. A única coisa que você deve se lembrar e´que não existe um lado correto e outro errado.Você não deve obedecer a antigos preceitos e conceitos, deve seguir apenas o que o seu coração disser que é o certo.
Nimitris irrompeu em choro.Chorava como se houvesse um enorme peso sendo retirado de sua alma.
-Filha, eu quero que esta seja a ultima vez em sua vida que você chora.Agora você não é mais um soldado, é uma Guerreira.Uma heroína.Vá, siga seu próprio caminho,seus pais já estão honrados e orgulhosos por sua luta!
-Obrigada, paizinho...obrigada...
A figura de Gigas desapareceu.
Quando Nimitris pôs-se de pé, estava decidida.Tomou o caminho que saia do cemitério e que nem ela sabia onde iria dar, seguindo em direção do nascer do Sol, que brilhava intensamente e enchia o cemitério de colorido e a fazia sentir mais viva do que nunca !


(Por Continuar)
 

domingo, 19 de janeiro de 2020

Episódio 26- Sensibilidade de Viver:Adendos Finais



No dia anterior ‘a noite, Lune já tinha avisado sua chefe de que ia voltar ao trabalho no dia seguinte.
Assim, de manhã bem cedo, acordou ainda antes de Takeo, e, para sua surpresa, o café da manhã já tinha sido preparado por Asuka. Não era o desjejum que ela estava acostumada, mas o típico café da manhã japonês tradicional: chá, peixe frito, lula grelhada e arroz.
Ela se aproveitou que sua avó tinha saído da cozinha para ir cuidar de Rina, e tomou seu desjejum apressadamente,  subiu, se trocou correndo, passou um batom, se perfumou, se penteou de qualquer jeito, pegou seu celular, sua bolsa, se vestiu com suas roupas corporativas e desceu as escadas voando.
Pegou seu carro e saiu a toda velocidade, para a estação de trem.
Lá, colocou seu carro no estacionamento e tomou o trem para seu trabalho.
Não demorou, chegou na cidade, pegou um táxi e desceu na Universidade onde trabalhada, toda esbaforida, mal tendo fôlego, para não chegar atrasada. E , de fato, chegou pontualmente um minuto adiantada na sala de reuniões.
Porém, estava estranhamente tudo escuro e vazio de gente.Ela acendeu a luz e....
-SURPRESA !
Bradaram suas colegas e sua chefe, sorridentes !O clima era de festa !
-Bem vinda !
Disseram elas em uníssono, e fizeram o tradicional cumprimento japonês, inclinando seus torsos.
Ela respondeu sorrindo, com o mesmo cumprimento, e com lágrimas nos olhos ! Se sentia tremendamente querida e feliz !
Foi então que a reunião formal começou e sua substituta temporária se despediu dela e transmitiu o cargo oficialmente.
Mais um dia de trabalho  começava na vida de Lune, que o adorava !
Enquanto isto, Takeo também estava na correria,
Se trocou rapidamente, mas não teve chance de escapar de conversar com Asuka, que exigiu que ele desse um beijinho de bom dia em sua filha.
-E a Lune-san?
-Ela já foi para o trabalho, Takeo-san, e você, não vai não?
-Meu expediente começa as oito, Asuka-sempai.Ao contrário da Lune, trabalho na mesma cidade em que moro, e o trabalho é perto!
-Huum...que empresa é esta que começa o expediente tão tarde?
-Trabalho para o meu sogro, na editora dele, sou desenhista chefe lá.E gerente também, acumulo os dois cargos...
-Está explicado, aquele Kazuo-san sempre foi um preguiçoso, sempre falei para a Momiji-san, procure alguém mais promissor, arte não dá dinheiro...
-Mas ele conseguiu sustentar uma família e eu estou ajudando a sustentar também, Asuka-sempai...
-Se você ganhasse bem, a Lune-san não precisaria trabalhar , Takeo-san ! Sua sorte é ter um pai rico que te socorre quando precisa !Nós da família Tamasuki nunca tivemos tal privilégio...
-Ahaaam, já acabei meu café da manhã e preciso ir trabalhar, Asuka-sempai, com licença...
-Ah, homens fracos de hoje em dia, não sustentam nem uma conversinha com uma senhora como eu... vai, vai logo então , anda !Takeo saiu correndo, levando suas coisas.
Respirou aliviado quando já estava dentro do seu carro.Não sabia até quando ia suportar as broncas da avó de Lune!
Ele abriu o portão da garagem, deu a partida e saiu.
O seu trabalho não ficava a mais do que um kilômetro e meio de distância, daria até para ir a pé, se quisesse, mas , comodista, preferia ir de carro.
Chegou, estacionou e entrou no estúdio.
Lá não tinha festa, e foi recebido friamente.
Conversou rapidamente com Kazuo, respondeu sobre Lune e Rina e sobre Ruri também. Depois Kazuo o atualizou sobre o andamento dos trabalhos e o mandou diretamente para a mesa de desenhos.
O dia se passou tranquilo, e quando o expediente terminou, ele pegou sua Mercedes para voltar para casa.
Porém, no meio do caminho, o transito estava parado pela Polícia.
Um assalto a banco estava acontecendo: era uma quadrilha de imigrantes chineses pesadamente armada com armas russas, e que fugia da polícia.
O Mitsubishi Lancer Evolution dos bandidos passou correndo, com dois bandidos atirando de pistolas automáticas de grosso calibre, com os Nissans da Polícia em seu encalço.
Porém, a fatalidade:
O cão de um transeunte que assistia atrás do cordão de isolamento escapou da coleira e fugiu, atravessando a avenida.
O carro dos bandidos nem freou, e a atropelou o animal e passou por cima. Mas a dura suspensão esportiva  deu um tremendo solavanco enquanto os bandidos atiravam, e um dos tiros veio na direção de Takeo!
A bala atravessou o parabrisas e atingiu o olho esquerdo  de Takeo, mas ao entrar, para sua sorte, subitamente se desviou e não entrou no cérebro, saindo pela lateral do crânio e saindo pelo vidro do motorista, indo alojar-se em um poste!
Takeo deu um grito de dor, e ao colocar a mão sobre o olho, ela ficou ensanguentada.
De repente , o carro foi cercado de gente e policiais chegaram.
Uma ambulância foi chamada imediatamente e ele foi levado ao hospital.
Não demorou, e Lune recebeu talvez o mais terrível telefonema de sua vida !

(Por Continuar)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Episódio 64- Admirer Voyages: Peregrine !


  
No dia seguinte, pela manhã, Valéria foi acordada por uma comunicação de Cecília:
-Capitã?
-Sim, Cecília,uaaaaah!Pode...pode falar !
-Desculpe acordá-la as seis da manhã, Capitã é que já estamos chegando ao sistema Hydra...
-Nem precisa completar ! Eu só vou me trocar e já vou aí na Ponte !
-Sim, senhora, Capitã !
E Cecília desligou.
Valéria então se levantou. Tinha dormido completamente nua como sempre e se vestiu correndo. Saiu  de seus aposentos e foi para o elevador. Dali a pouco...
-Capitã na Ponte !
Bradou Giselle.
-Á vontade !Já avistaram o Planetóide?
-Sim, Capitã, ele já está nos sensores, vai estar em alcance visual em dez minutos!
-Obrigada, Anne Paula !Thaís e Priscilla, sair da velocidade Zarp, diminuir para veia velocidade de empuxo sub luz, e ao chegarmos ao alcance, estabelecer órbita padrão em volta do planetoide!
-Sim, senhora, Capitã !
-Cecília, os sensores já encontraram a Minotaurus?
-Ainda não, Capitã, mas a Anne Paula já está esquadrinhando o planetoide daqui mesmo.
-Acho que em um corpo celeste tão pequeno, esta busca não demorará muito...
-Permissão para falar livremente, Capitã !
-Pois não, Anee Paula...
-Não será tão fácil quanto a Imediata está supondo, há forte interferência nos sensores atrapalhando a busca !
-Advinda de onde, Anne Paula, da atmosfera?
-Sim, Capitã, são os príons superconcentrados. Eles estão absorvendo parte das emissões dos sensores, tornando a leitura bastante imprecisa.
-Tinha-me esquecido dos príons. Mas normalmente eles não costumam interferir nos sensores...
-Mas estes, não sei por quê, interferem, Capitã !
-Então investigue o por quê, oras !
-Sim, senhora, Capitã !
-Alessandra, chame a Tenente Comandante Geraldine aqui para a Ponte, imediatamente !
-Sim, Capitã !
Não demorou muito e...
-Tenente Comandante Geraldine se apresentando, Capitã !
-Á vontade ! Suas ordens são de ajudar  a Anne Paula no posto dos Sensores. Enquanto ela pesquisa por que os príons estão interferindo nos sensores, você ira fazer a varredura no Planetóide, pois já estamos quase chegando nele agora !
-Sim, Capitã, imediatamente, senhora !
-Planetóide já em alcance visual, Capitã !
-Muito bom, Thaís ! Na tela, então !
Thaís obedeceu, e o Planetóide apareceu no telão.
-Uuuuh, que lindo ! É turquesa ! Como é brilhante !
-Sim, Cecília, um tom entre o verde e o azul, muito bonito, de fato! Thaís, Priscilla, estabelecer órbita padrão. Velocidade de órbita !
-Sim, senhora, Capitã !

Geraldine via extasiada, ao tirar os olhos da tela do console de sensores por um momento. Temendo ser repreendida, voltou para sua função.
-Leituras, Geraldine ! Já conseguiu localizar a Minotaurus?
-Ainda não, Capitã, talvez esteja enterrada abaixo do solo, as leituras ainda são muito imprecisas.
-Dispare uma sonda  de sensores  de superfície, Giselle !
-Sim, senhora, Capitã !
A sonda foi disparada. Ela entrou na atmosfera do planetoide e pousou no hemisfério norte, no lado ocidental do planeta, enterrando suas garras de atracação no solo para se firmar e começar a transmitir.
-Já estamos recebendo informações da sonda de superfície, Geraldine?
-Sim, Capitã, mas até agora ela só mostrou uma superfície gelada e irregular e o céu turquesa. Mas o alcance dela é baixo, ela só mostra dados de um raio de cinco quilômetros em todas as direções.
-Não era para ser dez vezes esta distância?
-Sim, Capitã, mas novamente, temos a distorção causada pelos príons. Na verdade, o computador dos sensores está corrigindo a difração de imagem  o melhor que pode...
-Entendi, Geraldine. Algum resultado sobre a interferência dos príons nos sensores, Anne Paula?
-Capitã, descobri que esta interferência tem um padrão que se repete em ciclos fixos...
-Então não é natural, é alguma coisa artificial, produzida por alguma inteligência alienígena...
Disse Valéria.
-Poderia ser uma interferência dos instrumentos da Minotaurus, que, avariada, poderia estar emitindo estes padrões!
-Boa idéia, Cecília ! Anne Paula, verifique que este padrão se encaixa em algum conhecido, pode ser um código de comunicação, um pedido de socorro, ou pode ser uma emissão aleatória da Minotaurus !
-Sim, Capitã, estou investigando !

(Por Continuar)