domingo, 28 de maio de 2017

Episódio 40- As Piratas também Sonham: Armada !





Era uma manhã fresca e agradável, quando Diana gritou do alto do cesto de vigia do Black Marlin:
-Terra ‘a vista !
-É Maastritch, com certeza !Diana, fique de olho agora nas rochas que despontam do mar e vá nos orientando se devemos virar a bombordo ou estibordo !
-Pode deixar, Capitã!
E o navio de June começou sua jornada pelo labirinto de farpas rochosas e ilhotas, até que, de longe, numa reagião bem larga, puderam-se avistar mastros de navio.
-Navios ‘a vista !Todos piratas !
-Agradecida novamente, Diana! Juliette, vá distribuindo as ordens para que o navio vá perdendo a velocidade  até parar no meio da massa de navios, e depois dê as ordens para a ancoragem !
-Sim, Capitã, pode deixar comigo.
June desceu ‘a primeira galé, onde viu Joanna ‘as voltas com seu caldeirão.
-Estou com fome...será que tem alguma coisa aí para beliscar?
-Tem sim, Capitã, pegue um pouco destas bolachas secas que guardei no armário.
-Obrigada, Joanna. Elas são duras e nada apetitosas, mas fazer-se o quê...daqui a pouco vamos parar em Maastritch e teremos uma conferência de guerra, e pode demorar,  não quero ir com fome.
Dali a pouco:
-Capitã? A Imediata me pediu para te avisar que já chegamos e estamos ancorando !
-Ótimo, Laura, já estou subindo !
E June terminou de comer suas bolachas e subiu para o tombadilho.
-A senhora viu ao lado de quem nós paramos?
Sim, Juliette, ao lado do navio da Ariadne! Muito bom, boa escolha.Agora, pelo visto, só falta o da minha irmã chegar!
-As piratas do Barracuda Feliz estão acenando para a gente !
-Muito bom, coloque o pranchão para ligarmos nosso navio ao delas então, Laura!
-Sim, senhora !
Pranchão instalado, June o percorreu para se encontrar com Ariadne, e deu um abraço nela.
-Que bom te rever, minha amiga !
-Bom te rever também! Estávamos nos sentindo meio inseguras com só nós de mulheres aqui, mas felizmente, ninguém mexeu conosco!
-Fico feliz em saber... a insegurança é inevitável, pois mesmo depois que a Agusta chegar, seríamos apenas três tripulações contra dezenas!
-Por falar nisto, minha vigia, a Denise, contou os navios reunidos aqui: com o seu, agora são noventa e nove navios !
-Opa !Muito bom, muito bom !Então, com a aAgusta, serão cem! Teremos uma vantagem de dois para um contra os ingleses ! Você já tem uma idéia da estratégia que vamos usar contra eles, Ariadne?
-Sim, June, não se esqueça que fui militar muito tempo, e que meu pai era um almirante !Então, olha, os militares costumam fazer suas batalhas assim: eles chamam isto de “guerra de linha”: os navios deles ficam enfileirados em linha, um atrás do outro, enquanto os navios inimigos se perfilam em uma linha paralela, ao lado deles, ao alcance dos canhões e os dois lados atiram uns nos outros.Qualquer movimentação, ambos os lados devem manter suas linhas para que seus canhões sempre mirem nos inimigos, afinal, todos os canhões ficam nas laterais!
-Huum, interessante, mas é uma estratégia um tanto rígida...eu tenho cá comigo uma idéia!
-Digas, June, fiquei curiosa !
-Já que temos o dobro do número de navios, vamos fazer uma armadilha para eles: vamos usar a tática deles contra eles !
-Como assim?
-Assim: primeiro os atrairemos para cá, na costa oeste do arquipélago.Aí ficaremos com metade de nossos navios a uma distância dos paredões de rochas que permitam que uma fileira de navios passe entre os ingleses e os nossos, e a outra metade ficará escondida atrás do paredão.Quando eles chegarem, nossos navios estarão enfileirados do jeito que eles gostam. Aí, a outra metade sai de trás das rochas e forma uma segunda linha de navios, e eles estarão cercados e terão de atirar contra dois lados ao mesmo tempo. Só que , como eles pensam que os piratas serão apenas a primeira fileira e eles não esperam uma segunda fileira, os canhões do outro lado deles não estarão preparados, e você sabe, é necessário um certo tempo para prepararem os canhões,e nós da segunda fileira, já estaremos com nossos canhões prontos, quando formarmos a segunda fileira atrás dos ingleses, e atiraremos primeiro, destruindo todos os canhões deles, e destruindo seus mastros.Com navios atirando dos dois lados, os ingleses serão estraçalhados, e depois que perderem seus canhões, podemos invadir os navios em massa e começar a carnificina !
-Excelente plano, June, perfeito !Nem eu pensaria em algo melhor !Assim que a Agusta chegar, vamos reunir todos os Capitães e propor seu plano !

(Por continuar)

Episódio 93-Admirer Voyages!





Wendy logo estava de volta na Ponte e Dina logo foi perguntando a ela:
-E então, a Irisa gostou do novo quarto dela?
-Ela está toda contente, Capitã, parece criancinha que acabou de ganhar presente !
-Que bom, assim ela se distrai um pouco!
-Sim, Capitã, mas já a deixei ciente de que daqui a pouco ela deverá vir aqui para assumir o comando da nave.
-É verdade, não demora, teremos de sair de novo, Wendy , e já estou tão cansada...se não fosse tão importante, eu nem iria...
-Capitã, eu agora fiquei curiosa:  Se a Irisa é a representação gráfica dos sistemas da nave, e , portanto está em toda parte, para que ela precisa ficar vindo aqui a cada vez que sai todo mundo?De onde ela estiver  ela não consegue ter o controle de tudo? Ou ela precisa acessar fisicamente os comandos da nave como nós para controla-la?
-Bom, acho que quem está mais apta a responder sobre isto é a Wendy, Frida...
-Na verdade, Frida, ela não precisa necessariamente estar fisicamente  aqui na ponte para controlar a nave. A parte dela que gere e controla os sistemas da nave é realmente onispresente em toda nave, e claro que ela não precisa acionar fisicamente os painéis para controlar a nave, mesmo porque mesmo para nós, seria impossível controlar todas as funções com uma só pessoa.Na verdade, ela fica mais aqui é mais para que, caso alguém chame a nave, não encontre a ponte vazia.Mas claro que ela pode aparecer na ponte instantaneamente, ela não precisa correr, pegar elevadores, abrir portas, ela vai e vem na velocidade da informação.Eu posso dizer até que seja um pouco de insegurança nossa, por ela ter este lado pessoa, este lado emocional, que é o que se projeta e interage conosco. Acaba mesmo sendo um comodismo nosso, um hábito, para nos sentirmos seguras, saber que tem alguém fisicamente presente na Ponte. No entanto, lógico que, por exemplo, lá do quarto dela, ela pode controlar tudo, mesmo se estiver dormindo, pois o lado dela sistema nunca dorme, está sempre ativo, é automático.
-Mas então, Wendy, pensando nela como pessoa humana, não seria desumano nós deixarmos ela aqui toda vez que saímos?Puxa, ela acaba virando uma pessoa sem vida própria, que não pode aproveitar seu quarto, sua vida, se distrair...
Os olhos de Wendy baixaram.
-Sabe que pensando bem, você tem razão, Frida?Eu sou a favor, neste caso, de deixar ela aproveitando o quarto dela enquanto saímos, e você , Wendy?
-A senhora é a Capitã, é quem toma as decisões...
-Mas você é, de certa forma, a “mãe” dela, por isto, no que toca ‘a vida da Irisa, me sinto na obrigação de obter a sua permissão e ter a sua opinião, Wendy!
-Eu concordo com a senhora, Capitã. Vamos passar a deixa-la em paz quando sairmos, a partir de agora e doravante.
-Muito bem, está decidido !Irisa, apareça, por favor !
A saltitante assistente virtual apareceu na hora.
-Sim, Capitã !
-Nós temos uma boa notícia para você !
-Sim, sim, eu escutei toda a conversa de vocês sobre mim !Muito obrigada !
-É tão bom ver esta alegria nestes olhinhos e nestes lábios sorridentes, não, Wendy?
-É muito gratificante, senhora !Me faz muito feliz também !
-Bom, então, nem preciso te dizer, Irisa, para ficar de olho em tudo o que acontece, por que você sabe que sairemos e já fica mesmo. Pode voltar a seu quarto, dispensada !
-Agradecida novamente, Capitã, e boa festa para todas vocês !Tchauoooô !
E Irisa deu um beijinho em Wendy, outro em Dina e outro em Frida, e nesta, sussurrou no ouvido dela:
-Muito obrigada!Nunca vou esquecer o que você fez por  mim !
E desapareceu.
As tripulantes da ponte então tomaram o rumo do elevador, e as demais altas oficiais, que estavam em seus postos, também rumaram a seus quartos, para novamente se arrumarem.
Foi quando Dina, que acabara de tomar novo banho e ainda estava se enxugando, viu a cara de Irisa no seu terminal, dizendo:
-Capitã, Mensagem do Capitão da Argos para a senhora ! Não é privativa, mas como não tem ninguém na Ponte, transferi a ligação em espera para o terminal de seu alojamento, posso colocar na tela?
-Eeeee?Não vê que estou pelada?Eu não posso atender a ele deste jeito, peça para ele esperar, que já o atendo !
-Tudo bem, Capitã !
E Dina tratou de se  trocar correndo.Nem se pentear direito conseguiu, mas abriu a conexão em seu terminal:
-Olá, Capitão !
-Olá, Capitã ! Desculpe interromper seus preparativos para sua vinda. Falei com sua assistente e ela disse para que eu aguardasse a sua chamada por que a senhorita esta nua...
Dina corou da cabeça aos pés e quase desmaiou de tanta vergonha !Dava vontade de sumir, mas matar Irisa antes !
-Eeeeeh...eeeer...eu estava tomando banho e me trocando, minha assistente ‘as vezes é meio inconveniente e fala coisas inapropriadas...
O Capitão da Argos soltou uma gostosa gargalhada.
-Sua assistente é realmente hilária, minha cara! Mas serei breve: eu só vim avisar que está tudo pronto para receber a vocês e que podem vir quando quiserem !
-Muito obrigada, Capitão. Daqui a pouco iremos para a sala de teletransporte e avisaremos  a vocês !
-No aguardo!Até já !Panhard, desligando !
-Irisaaaaa !
-Oi, Capitã, não precisa gritar, já estou aqui...
-Quase me matou de vergonha, menina !Quando deste tipo de situação, não se fala que uma mulher está pelada, fala que ela está ocupada, se arrumando, entendeu?
-Mas o que tem isto demais, Capitã?
-Tem de mais que agora aquele careca horroroso deve estar me imaginando pelada, só isto !Humanos tem algo chamado pudor, sabia?
-Desculpe, Capitã...
-Deixa para lá, dispensada !

(Por Continuar)


sábado, 27 de maio de 2017

Episódio 39-As Piratas também sonham:Armada !




Foi saírem dali e Agusta caiu sentada, exausta, na cadeira de sua escrivaninha de sua cabine.
Tinha deixado a porta aberta.
Marina a viu, e exclamou:
-Capitã!A senhora está bem?
-Feche a porta, por favor, Imediata.
-Pronto !
-Me ajude a me levantar, estou muito cansada. E me traga um penico dos grandes, ou mesmo uma...coisa de lavar roupas...eu...eu estou muito enjoada também!
-Sim, Capitã!Quer deitar um pouco na cama?
-Se eu deitar agora, regurgitarei até minha alma...melhor ficar sentada por enquanto.Vai logo, traz o que te pedi !
Marina saiu correndo e buscou a maior bacia de madeira que encontrou e a trouxe e a colocou em frente ‘a sua capitã.
-Agora saia um pouco e fique de costas do lado de fora da porta. Assim que te chamar, você entra!
-Como quiser, Capitã !
Tão logo Marina saiu, Agusta regurgitou tudo o que tinha nas tripas e mais um pouco, por minutos e minutos a fio, com tamanha intensidade que mal conseguia respirar e quase se engasgou de modo fatal.Chegou a pensar que ia morrer, ficou lívida, mas enfim a respiração voltou e depois de tossir muito, ela conseguiu gritar:
-Marinaaaaa !
A Imediata chegou imediatamente e limpou o rosto e as roupas de sua capitã, e depois foi jogar fora no mar o conteúdo da bacia.Depois voltou.
-Me ajude a me deitar. Tranque a porta, e tire minhas roupas sujas e as leve para lavar.
-Estou muito preocupada com a senhora capitã !Será que a senhora pegou a doença dos marinheiros franceses?
-Não, não estou doente...eu vou te contar um segredo, bom, nem preciso, você vai perceber quando tirar minhas roupas...eu estou grávida !
-Grávida, Capitã?
-Sim, do Capitão Bigodão!
-É mesmo, a barriga já está começando a aparecer!
-Este é um segredo que quero que você guarde por enquanto, Imediata.
-Mas logo vai ficar evidente, Capitã...e como vai lutar desta maneira?
-Escute, Marina: nós vamos para Maastritch , para a Grande Batalha com os Ingleses. Caso sobrevivermos,de lá vamos voltar para  Hollandaise, e lá eu ficarei com parentes até ter meu bebê.Você irá ficar no comando do navio por um ano e três meses e depois voltará a Hollandaise para me buscar e entregar o comando do navio para mim.Entendeu?
-Sim, senhora !
-Eu não sei se sobreviverei a esta batalha, nem se sobreviverei a este parto , mais tarde, mas, se alguma coisa acontecer comigo e meu filho sobreviver, adote-o como se ele , ou ela, não sei o que será, fosse seu filho ou sua filha e cuide bem dele ou dela, por favor.
-Pode contar comigo, Capitã !
Disse Marina, de olhos baixos.
-Muito bem. Já tem suas ordens. Eu vou dormir um pouco, vai passar. Assuma o comando por enquanto, e , por favor, feche a porta quando sair.
-Sim, Capitã !
E Marina saiu e foi ver como estavam se saindo suas piratas.

(Por Continuar)