segunda-feira, 13 de maio de 2019

Episódio 94-Sensibilidade de Viver:Gestação!


-Isto não me consola muito efetivamente, Pai...
-Sim, eu sei, e nem foi este o objetivo, filha.Mas a vida é breve e passa tão rápido...as pessoas passam por nós, algumas marcam nossas vidas e se vão,e ao mesmo tempo nós também passamos pelas vidas dos outros, podendo marcarmos a vida deles ou não.Nossas vidas são locais de passagem, onde aparecemos, vivemos e vamos embora.Sabe, eu não gostaria de ser eterno, se todos não o fossem, pois ser o único eterno, além de ser algo muito egoísta,seria um enorme sofrimento, pois testemunharia a perda de gerações inteiras vendo-as nascer, crescer, viver e morrer.Então, cessar de existir faz sentido.’as vezes as pessoas tem a sensaçãode já terem vivido demais e acharem que já é a hora de parar, sobretudo quando as perdas na vida são muitas.E muita gente não quer viver demais, vivenciando doenças em si, como Alzheimer, Parkingson, reumatismo,e problemas de coração, AVC´s, etc, enfim, não querem viver para sofrer, viver com dores, ficarem decrépitas.Outras pessoas não querem ficar dependentes das outras pessoas, presas em cadeiras de rodas por anos, décadas, não querem ter seus sonhos impossibilitados e assim, perder as esperanças.Para muita gente é preferível se ir do que enfrentar a decadência, a decrepitude, a agonia da depressão, a frustração e decepção de perder seus sonhos para sempre, a desilusão permanente.Para muita gente, a Vida para eles terminou no dia de suas perdas mais importantes, pois para estas pessoas, quando seus sonhos morrem, a Vida já morreu para eles e não tem sentido mais continuarem vivos.Então, bom, a velhice é um privilégio negadoa muita gente, mas para muita gente , este privilégio não vale a pena ser obtido, é doloroso e sofrido demais.Eu nem consigo imaginar, filha, o quanto deve ser pesado a pessoa ter a consciência e chegar ‘a conclusão de que finalmente é hora de parar e se ir.Você, filha, sempre ficou filosofando sobre ir para o Nada, mas há vezes, querida, que o Nada é que vem até você e torna sua vida e sua existência vazias...
-Ainda não entendo o que todos estesargumentos tem a ver com o sonho com minha mãe...
-Era uma preparação psicológica, filha, exatamente como sei que você pressentiu durante minha explanação.
-Preparação psicológica?
-Sim...
Lune ficou com os olhos rasos e abraçou o pai com força.
-Ai, paizinho...
-Calma, filha, calma...ela não vai falecer tão cedo assim, mas sim, ela está doente e o caso dela é grave. Ela passou mal outro dia e precisei levar a ela ao hospital.Lá , eles descobriram que ela tem uma doença auto imune no intestino, e vai ter de passar por uma operação.
-Operação? Ela tem câncer?
-Não, filha, não é câncer. A doença auto imune é quando as células do corpo atacam outras células do próprio corpo e as matam.É uma doença do sistema imunológico.A doença é perigosa, mas pode durar muitos anos antes de matar, mas de qualquer forma, encurta a vida.O médico me disse que ela pode precisar de várias cirurgias nos próximos anos, e que, um dia, uma das crises de dor que ela vem sofrendo pode vir a ser fatal.
As pernas de Lune bambearam, e ela desandou a chorar convulsivamente .
Kazuo a abraçou mais forte, impedindo-a de desfalescer, e acariciou os cabelos dela.
-Era...por isto...que...que...ela estava tão...tão sensível... no telefone ...comigo...
-Sim, filha, ela anda muito sensível atualmente...
-Amanhãvou visita-los !Vou pedir para o Takeo-kun me levar!
-Vamos, é hora de irmos embora daqui. Vou te levar em um restaurante de comida mexicana,e depois vamos passar a tarde numa boa livraria, eaí te levo para casa, ok?
-Tudo bem, paizinho...
-Então vamos  indo, filha !
E assim fizeram.
Mais tarde, já na livraria, os dois liam livros de filosofia, quando
Repentinamente, Lune gritou de dor:
-Aaaaaaiiiii !
-O que foi, filha?O que foi?
-Minha barriga, está doendo!É muito forte!Parece...aaaaai..vem em ondas...
-É uma contração! Sua primeira contração!Vamos, melhor irmos para sua casa !
-Como o senhor sabe?
-Oras, eu acompanhei as três gestações  de sua mãe, eu assisti a muitas contrações na vida, e tenho a certeza de que esta é uma!
-Será que é...aaaaai...melhor irmos para o hospital?Será que já vai nascer?
Kazuo soltou um leve sorriso:
-Não, filha, calma, ninguém tem parto logo ‘a primeira contração.Você ainda vai ter diversas contrações antes da última que precede o parto.A dor vai passar logo. Mas é melhor você estar confortável em casa agora e descansar, suas pernas já estão inchadas, vai precisar mantê-laspara cima por um tempo.Vamos indo, eu te ajudo, vem !

(Por Continuar)

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Episódio 32-Admirer Voyages:Peregrine!



-Tudo bem ! Vou contar !
-Quero saber primeiro, por que dei o nome de Gertrude para minha filha, um nome tão feio, de velha !
-Segundo minha avó me contou,você deu este nome a ela em homenagem ‘a sua avó, minha tataratataravó, Gertrude Monique D´Anjou Soleil,que falecera poucos dias antes de minha avó nascer. E minha avó me contou que  Gertrude Monique estava muito doente em 2222, e que os médicos lhe avisaram que não havia cura e que ela iria morrer logo. E que, com isto, você jurou de joelhos na frente do leito dela, antes de ela falecer, que iria daro nome dela para sua filha, cuja gravidez já estava muito avançada, ainda no hospital. O mais cruel é que, menos de um ano após ela morrer, descobriram a cura para a doença dela...
Os olhos de Françoise se encheram de lágrimas, e ela enterrou o rosto no meio dos braços cruzados sobre a mesa e ela chorou convulsivamente, visivelmente emocionada.
Valéria se condoeu dela, e acariciou seus cabelos com carinho.
-Por que...por que eu tinha que saber de ...tudo isto...eu amo tanto minha avó...saber...quando e como...ela se ira...é muito doloroso...cruel demais...eu...eu não queria ter ficado sabendo...de nada disto...mas agora eu sei, droga...agora eu sei !
Françoise estava inconformada!
-Desculpe, Fran..eu...eu não devia ter te contado...
E Valéria abraçou sua bisavó e uma chorou no ombro da outra.
No fim, elas agora eram íntimas, e trocavam carinhos entre si, e Françoise acariciou-lhe o rosto com delicadeza e carinho, e beijou a testa dela.
Fora muito emocionante para Valéria, pois era exatamente do jeitinho que sua avó lhe fazia quando ela era criança, e a sensação saudosa e querida era a mesma...
Enquanto isto,Charles ia mostrando a nave para Cecília e Rita. Eles estavam na Engenharia agora.
-Uh, olha só, um reator de Gerador Zarp horizontal !Caramba, eu só vi isto em velhos manuais técnicos do século XXIII, mas ao vivo é outra coisa !
-No futuro eles serão verticais?
-Sim, e muito menores, muito mais compactos, este é enorme para o padrão do século XXIV !
-É que eles exigem escudos antirradiação muito espessos e pesados...
-É nesta época os geradores de campo de isolamento radioativos ainda não tinham sido inventados. E vocês usavam, ou melhor, usam, deutério enriquecido com cristais de dilítio , altamente instáveis, para gerar o campo Zarp, sujeitos a muito superaquecimento...hoje em dia usamos theuterium com cristais de tetrilium, muito mais seguros e eficientes, que não exigem estas blindagens e medidas redundantes de segurança...
É, vocês avançaram muito mesmo !Nossa nave alcança Zarp 10, podendo chegar a ZARP 10.3 por alguns minutos, imagino como estará daqui cem anos...
-Alcançamos ZARP 300.000 e nossa nave nem é das mais velozes da frota, algumas alcançam ZARP500.000 ou mesmo ZARP 1.800.000 !As naves mais lentas de nosso tempo não passam de ZARP 10.000...
-Caramba, que velocidade !E quando será rompida a barreira do ZARP 10?
- No tempo de vocês, daqui três anos, em 2215,na verdade, a primeira nave a cruzar esta barreira, já está sendo  projetada e construída, a KSS Cheetah, da então nova Classe Cousteau!
-Incrível ![E, eu ouvi falar mesmo de uma tal nave secreta,que prometem que revolucionará a tecnologia atual e a exploração espacial !
-E revolucionará mesmo, Charles !
-Bom, vamos conhecer a Enfermaria agora, então?
-Vamos indo ! Mas primeiro, aqui não tem algum tipo de barzinho para tomar e comer alguma coisa?
-Tem sim, vamos ao refeitório primeiro, então , Imediata Cecília!
-Dos oficiais ou dos tripulantes?
-Nossa nave é pequena, Rita, só temos um, para todo mundo...

(Por Continuar)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Episódio 93- Sensibilidade de Viver: Gestação !


Porém, logo depois, voltaram as lágrimas,pois um pensamento não lhe saía da cabeça:
“-Ela me disse que minha mãe não viverá muito mais tempo...mas quanto?Será que pelo menos o suficiente para ver a Rina nascer? E eu...não não queria que ela fosse embora tão cedo, ela...ela ainda é tão jovem, acho que está, se não me engano , com sei lá, acho que nem chegou nos cinquenta anos de idade ainda...muito nova...e que farei de minha vida sem os conselhos dela...sem a braveza dela...sem o carinho dela...”
Takeo tinha ido ao supermercado, e ao chegar, encontrou Lune chorando copiosamente, sentada na cama, com a gata Simone tentando consolá-la.
-O que foi que aconteceu, querida? Por que está triste assim?
Lune contou seu sonho e como se sentia.
Takeo procurou saturá-la de carinhos e carícias no rosto e nos cabelos e disse:
-Querida, não fique assim...olha, se voc~e pensar bem, sentir osignificado do que sonhou, na verdade foi um sonho consolador,e muito positivo!
-Minha mãe vai morrer !Você não entende?
-Claro que entendo, amor, calma...não precisa se desesperar...olha, elas disseram que ela iria encontra-las , mas não disseram a data...ela disse que não demorará muito, mas não falou nada que ela não iria conseguir ver nossa filha nascer,tudo leva a crer que seja depois, mas pode levar anos ainda, anjo. Eu acho que na verdade o que ela quis dizer foi para você valorizar sua mãe enquanto ela está viva, e aproveitar a existência dela na sua vida,afinal, morrer todos vamos um dia...olha, por que não conversa com seu pai sobre isto?
-Meu pai?
-Sim, ele.Ele é muito mais adequado do que eu para lhe aconselhar agora.Amanhã é domingo, ninguém trabalha, combina com ele...
-Tudo bem, Takeo-san, farei isto então...traz meu celular para mim, por favor!
-Ok, querida !
Ele trouxe, e ela ligou para o pai dela, e lhe contou seu sonho.
-Entendi, filha, olha, vamos passar o dia juntos amanhã, ok?Virei te buscar aí amanhã as dez horas da manhã !
Assim, no dia seguinte pela manhã, Kazuo chegou, e nem quis entrar, Takeo veio apoiando Lune,para ajuda-la a caminhar, pois a barriga estava grande e as pernas e as costas doíam.
Lune estava preocupada, pois as tais contrações nunca chegavam e ela se perguntava quando chegariam?
-Olá, Kazuo-sama !
-Oi, Takeo-san. Oi, filha, bom dia ! Venham, meu carro está estacionado na frente do prédio !
Caminharam um pouquinho e desceram as escadas com todo o cuidado, bem devagar.O Nissan Sentra  vermelho de Kazuo estava pronto.Acomodaram Lune na frente, no banco do acompanhante, e Takeo se despediu dos dois e subiu.
Kazuo entrou no carro, afivelou o cinto de segurança e ligou o motor.
-Onde vamos passear, papai?
-No cemitério onde está o jazigo de nossa família, filha.
-Cemitério, papai? Um lugar tão deprimente e sombrio?
-Exato, filha, é hora de você ter uma importante lição de vida!
Quarenta minutos depois, chegavam no cemitério.
Kazuo pediu para ela esperar no carro, e foi ao porta malas, onde tirou e montou uma cadeira de rodas.Aí , com cuidado e carinho, a colocou nela.
-Por que, pai?
-Por que o cemitério é grande e te cansaria muito caminhar tudo isto no seu atual estágio de gravidez, filha.Vamos indo !Você se lembra de onde fica o jazigo da família?
-Eu não me lembro mais, há muito que não venho aqui...
-Mas eu me lembro, filha, pode ficar tranquila.
Após andarem um bom bocado, finalmente encontraram o jazigo da família Tamasuki.
Para Lune, ver seu sobrenome na lápide foi um certo choque!
-Filha, aqui estão enterrados váriso tio seus, primos, sua bisavó, suas tias-avós e tios-avôs, há uma verdadeira página da História aqui.O que você vê neste jazigo?
-Não diria o que vejo, mas mais importante, pai, é o que sinto...ao olhar aí, me dá um gelo nas espinha...parece que irei para aí um dia, e só de pensar em estar aí dentro, junto com tantas ossadas de tanta gente...me dá arrepios...
-Filha, quando você estiver aí dentro um dia, você não estará mais viva, não pensará nada, nem sentirá mais nada... e como você não tem religião, não tem a esperança de ter uma vida após a morte!
-O senhor também não tem religião, só a mamãe , que é budista !
-Sim, ela acha que irá para o paraíso quando não estiver mais dentre os vivos...mas deixa eu te mostrar uma foto!
E Kazuo tirou uma foto de dentro de sua mala a tiracolo preta.
-Este é um raio X de seu crânio de uns dez anos atrás, mas vai servir...
Lune , ao ver  a foto, levou um susto e arregalou os olhos.
-Uh, que horror !
-Filha, é o que você é, bem no seu interior real. É o que todos somos.A morte mora dentro de nós desde que nascemos e quando falecemos ela se revela, sem a vestimenta de nossas carnes.Morrer é tão natural quanto viver, é algo que um dia, literalmente fatalmente ocorrerá, mas nos é impossível prever quando e como.E talvez seja melhor assim mesmo, pois já imaginou se soubéssemos quando e como morreremos?Não viveríamos mais, ou, sei lá, a reação de muita gente é imprevisível, as pessoas são muito diversas  entre si. Um dia chegará minha vez de estar deitado aqui eternamente, e o de sua mãe também, e você nos enterrará. E um dia chegará a sua vez, e sua irmã e sua filha a enterrarão e chorarão por você.É o ciclo da vida, que mais uma vez se fechará. Podes não achar justo, mas a quem cabe julgar a morte?

(Por Continuar)

Episódio 31- Admirer Voyages:Peregrine !



-Ah,e Anne Paula, você tem o comando da ponte enquanto estivermos fora!
Disse Valéria, que, acompanhada de Cecília, pegou o elevador e foi para a sala de teletransporte.
Lá, Letícia e Rita esperavam por elas.
-Capitã e Imediata no recinto !
Disse Letícia, quando as duas chegaram.
-Dispensadas !
-Capitã, tudo pronto !
-Muito bem, Letícia, já estamos todas na plataforma da máquina.Energizar !
Letícia acionou o teletransporte, e as três desapareceram da plataforma e reapareceram instantaneamente a bordo da Belerofonte.
Lá, esperavam  por elas  a Capitã Françoise e mais dois oficiais.
-Sejam bemvindas ‘a KSS Belerofonte ! Eu sou a Capitã Françoise Louise Soleil, e este é meu Imediato, Charles e meu Engenheiro Chefe , Stuart McScottland !
-Muito obrigada ! Prazer em conhece-los, Capitã Valéria Soleil, minha Imediata Cecília e minha Engenheira Chefe Rita !
-Sejam bem vindas ao século XXIII !
-Agradecida  novamente, Capitã Françoise !
-De nada, Capitã Valéria. Por favor, queiram nos acompanhar!
Cecília ficou impressionada com a semelhança física do rosto das duas capitãs!Não havia dúvidas de que eram descendentes uma da outra ! Os cortes de cabelo eram diferentes, penteados idem, mas a testa, os olhos, pareciam os mesmos !
Elas foram percorrendo os curvos corredores da nave, já que tinham sido teletransportadas para o globo da nave.
Aquilo para elas parecia uma curiosa viagem no tempo: tudo ali parecia datado, antigo, mas estava novinho em folha,e era curioso ver os painéis de comunicações ainda com botões físicos e telas bidimensionais. Algumas telas em alguns painéis de acesso técnico eram mais avançadas, com telas soft touch e teclados virtuais, mas ainda bidimensionais e não-holográficos.
Elas entraram no elevador, que ainda tinha o velho gancho de comando, com sua manopla enorme, para selecionar o andar desejado. Nada de falar ao computador o deck desejado !
O elevador parecia também bem mais lento que os que equipavam a Peregrine.
Finalmente chegaram ao Deck 2, onde, depois de  curta caminhada por um corredor, chegaram ‘a sala de reuniões dos altos oficiais, igualmente curva.Não haviam ali os grandes janelões retangulares recurvos, mas sim, janelinhas pequenas e redondas, bem espaçadas. A sala era um pouco apertada, mesmo em comparação com a da Peregrine.
Sentaram-se ‘a mesa curva, de madeira, nas curiosas cadeiras fixas de um plástico duro e esverdeado, com apenas a parte de cima do encosto e com o assento estofados em couro natural preto.O encosto das cadeiras tinha um formato curiosamente triangular, com a base larga na altura do assento , afinando-se e terminando em uma ponta estreita e arredondada na porção para a cabeça. Eram duras e desconfortáveis. Mas ao menos eram giratórias, embora tivessem o pé fixo.
-Muito bem, sentem-se e fiquem a vontade. Ah, Valéria, vocês nos colocaram numa situação bem complicada...como poderíamos comunicar ao QG da R-KASF, que encontramos uma nave do futuro em nosso caminho? Isto é desconcertante! E confesso que ainda estou sob um certo choque...
-É perfeitamente compreensível, Capitã Françoise, eu também ficaria se desse de cara com uma nave de 2412...mas se queres uma sugestão, penso que é melhor não comunicar, pois eles vão querer apreender nossa nave, estuda-la e isto poderá afetar o futuro, não acho bom eles terem acesso a uma tecnologia que eles ainda não conhecem e que ainda não apareceu.
-E iriam querer interroga-las também, talvez prendê-las , para investigações. Você tem razão, Capitã Valéria, não informaremos ao QG então.
-E não pretendemos ficar aqui muito tempo, precisamos voltar ao nosso tempo e cumprir nossa missão!
Disse Cecília.
-Tudo bem. Bom, vocês devem estar curiosas para conhecer nossa nave. Vamos fazer o seguinte:  a Capitã de vocês ficará comigo mais um tempinho, para conversarmos a sós, e vocês irão com meu Imediato, passear pela nave e conhece-la. Mais tarde, eu e a sua Capitã iremos dar nosso passeio, digamos “turístico” pela nave. Nos encontraremos mais tarde na ponte! Charles, por favor, acompanhe-as !
-Sim, Capitã! Vamos indo, senhoritas?
E Rita e Cecília foram com Charles conhecer a nave. Agora Françoise ficou a sós com Valéria.
-Muito bem, então eu sou a sua bisavó e você é a minha bisneta!Não pense que não reparei em seu rosto e seu corpo, Valéria...eu realmente chego ‘a conclusão de que você é parecida comigo, em alguns traços, mas a consciência de que serei bisavó me faz me sentir muito mais velha do que sou, e olhe que nem cheguei nos quarenta anos ainda!
Fico algo chateada em pensar que não a verei nascer, nem crescer, mas você, por outro lado nunca teria tido a oportunidade de me conhecer se não fosse este acidente temporal. No entanto,a consciência de o quanto, até que idade viverei e com que idade deixarei o mundo dos vivos...olha, que te pedir um favor: não me conte de jeito nenhum de que maneira foi o meu falecimento, não quero saber, o?Já é muito pesado para mim saber que só viverei  mais sessenta anos...
-Tudo bem, bisa !Posso te chamar assim?
-Bisa?Está me chamando de velha, mocinha?  No meu tempo, tenho no máximo a mesma idade que você !Me chame de Fran !Mas só quando estiver sozinha comigo, na frente dos outros me chame de Capitã Françoise, por favor! E não me chame de senhora !
-Desculpe, Fran...eu sempre sonhei em um dia poder te chamar de Bisa...a vovó falava tanto de você...
-O que ela falava de mim?
-Que ainda bem que eu não a tinha conhecido, por que você era muito brava e tinha um gênio terrível...rsss
-Humpf ! É que ela não deve ter conhecido minha mãe...aquilo sim era severidade...mas ainda assim, uma mulher admirável !
-A vovó dizia a mesma coisa de você , a chamava de mulher admirável, de muito valor, uma pioneira, ela a tinha como uma heroína !
Françoise corou de vergonha.
-Fico feliz em ouvir isto...mas me conta, por favor, deste Serge com quem vou casar e de quem vou engravidar, me conta da minha filha...
O tom mudou para curioso e entusiasmado.
O gelo se quebrara, e agora elas pareciam velhas amigas!

(Por Continuar)